A
estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é que surjam quase 600 mil
novos casos de câncer. Destes, 36.360 casos serão somente de câncer colorretal,
também conhecido como câncer de intestino. No Brasil, é o segundo tipo mais
comum entre as mulheres e o terceiro entre homens. A campanha alerta para o
aumento do número de casos em pessoas cada vez mais jovens e ressalta a
necessidade de prevenção.
“A
causa, ou causas, do aumento ainda não são claras para os cientistas. Apesar de
os números de cânceres ligados ao papilomavírus humano, o HPV, terem subido nos
últimos anos, esse vírus causa principalmente o tumor cervical, o do fundo da
garganta e do ânus (câncer anal e retal são diferentes), e os pesquisadores não
acreditam que comportamentos sexuais ou o HPV estejam causando o crescimento
dos números de casos de tumores de cólon ou reto.
Entre
os sinais de alerta estão sangue nas fezes, sangramento retal ou fezes escuras
ou pretas. O sangue liberado pelo tumor pode parecer bem vermelho ou escuro,
sinal de que foi quebrado no intestino. Perda de peso inexplicável ou não
intencional e cansaço também são sintomas. Podem acontecer problemas digestivos
gerais, como cólicas abdominais persistentes, dor por causa de gases ou na
lombar, sensação de inchaço ou uma mudança em hábitos na hora de defecar que
dure mais do que alguns dias, como diarreia, constipação, fezes mais estreitas
do que o habitual ou uma sensação de que o intestino nunca se esvazia
completamente.
Muitos
sintomas semelhantes aos do câncer colorretal podem ser benignos ou estar
relacionados a outras condições médicas e, por isso, o diagnóstico é difícil de
ser feito em jovens, dizem os especialistas. A anemia por deficiência de ferro,
por exemplo, comum em mulheres com menstruações pesadas, também pode ser um
sinal de câncer colorretal.
“Não
queremos criar uma situação de pânico. A frequência com que a doença acomete os
jovens ainda é relativamente baixa, mas estamos vendo um crescimento”, afirma o
doutor Mark Pochapin, diretor de gastroenterologia do Centro Médico Langone da
Universidade de Nova York (EUA). Segundo ele, os novos dados “dão um alerta
para ficarmos mais vigilantes. Precisamos que os médicos percebam que o câncer
colorretal é possível em pacientes jovens e, se eles estão tendo sintomas como
sangramento retal, pode ser algo mais sério. Os sinais em pessoas mais jovens não
devem ser descartados”.
Como
se prevenir
Saiba
identificar e como proceder em caso da doença:
Diagnóstico
Exames
de rotina para câncer colorretal não são recomendados em pessoas abaixo de 50
anos. Mas testes de laboratório não invasivos podem ser feitos para detectar
sangue ou marcadores de DNA nas fezes.
Histórico
familiar
Se
alguém de sua família teve câncer colorretal ou pólipos pré-cancerosos
removidos aos 50 anos, por exemplo, faça exames preventivos, diz Renee
Willians, professora da Escola de Medicina da Universidade de Nova York.
Síndrome do intestino irritável e outros tipos de cânceres também podem
aumentar o risco.
Observe
seu corpo
Conhecer
o seu corpo, inclusive suas fezes, também é importante. Saiba o que é normal
para você, avisa Anne Carlson, diretora executiva da Coalisão o Câncer de
Cólon. “Fique atento a mudanças.”
Boa
Alimentação
Má
alimentação, obesidade, fumo, uso pesado de álcool e estilo de vida sedentário
estão associados a um maior risco de desenvolver a doença.
Dicas
Exames
de rotina para câncer colorretal não são recomendados em pessoas com menos de
50 anos consideradas dentro do risco normal porque o número de casos é tão
baixo que testes universais provavelmente fariam mais mal do que bem, dizem os
especialistas. As colonoscopias, por exemplo, exigem sedação e podem causar
complicações sérias, como perfuração do intestino, em uma pequena porcentagem
dos casos. Mas testes de laboratório não invasivos podem ser feitos para
detectar sangue ou marcadores de DNA nas fezes.
Então,
o que a pessoa média das gerações X e Y deve fazer?
“Encontre
um clínico geral em quem confie e estabeleça um relacionamento com o
profissional quando está bem de saúde”, diz Pochapin. Assim, se você
desenvolver sintomas preocupantes, “pode ser atendido por alguém que já
conhece. Muitos jovens ficam envergonhados de falar sobre essas coisas”.
Outra
dica é conhecer sua história familiar e compartilhar isso com o médico. Alguém
de sua família teve câncer colorretal ou pólipos pré-cancerosos removidos? “Se
você tem um parente de primeiro grau – pais ou irmãos – que tiveram câncer de
cólon aos 50 anos”, por exemplo, “deve fazer os exames aos 40 anos”, ou dez
anos antes, diz a doutora Renee Willians, professora assistente de Medicina da
Escola de Medicina da Universidade de Nova York e gastroenterologista do Centro
Hospitalar Bellevue. Algumas condições médicas, como síndrome do intestino
irritável e outros tipos de cânceres também podem aumentar o risco.
Conhecer
o seu corpo também é importante. Saiba o que é normal para você, avisa Anne
Carlson, diretora executiva da Coalisão o Câncer de Cólon. “Conheça seu corpo”,
inclusive suas fezes, e “fique atento a mudanças”. Se seu médico não está se
preocupando o suficiente, insista.
Hábitos
alimentares saudáveis – com uma dieta rica em frutas, vegetais e fibras e com
pouca comer carne vermelha, grelhada ou muito processada em grandes quantidades
–também são importantes. Obesidade, fumo, uso pesado de álcool e estilo de vida
sedentário também estão associados a um maior risco de desenvolver a
doença.”
A doença é altamente curável, especialmente
quando diagnosticada cedo, por isso é tão importante realizar exames
periodicamente. A investigação do câncer de intestino deve começar a partir dos
50 anos.



