quinta-feira, 18 jun 2026 ☀ Franca/SP 17°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

Alguma coisa vai mudar no Brasil depois deste megadesastre?

Compartilhar

Lama da mineração atinge reserva de desova de tartarugas
gigantes na costa capixaba do Oceano Atlântico e isso sinaliza que vários
ecossistemas marinhos também estão sendo desequilibrados: este desastre precisa
motivar avanços no novo Código de Mineração e mudanças na realidade socioambiental
do país, este tipo de sequela positiva é o que nos consola a todos, sem tirar o
ímpeto da nossa luta imediata agora, que inclui denunciar as consequências e a
falta de estrutura em todas as bilionárias minas de mineração de ferro em Minas
Gerais, no Espírito Santo, no Pará, no Piauí.

Biólogo avalia sequelas sofridas por esta tartaruga gigantes e outras espécies de vida marinha

Recebemos no blog Folha Verde News e no microblog Flash de Ecologia, por e-mail, esta foto e notícia enviada por ativistas do Projeto Tamar, mesmo com a ação de ambientalistas, técnicos e até de um mapeamento feito por uma esquadra da Marinha, as sequelas do desastre socioambiental com o rompimento da barragem em Mariana, contendo metais pesados, está agredindo fortemente o equilíbrio ecológico da costa capixaba do Atlântico. Pessoal do Tamar bem que tentou salvar as tartarugas em Regência, Linhares, na região norte do Espírito Santo, por meio da retirada dos animais, os berçários de caranguejos e de peixes, conhecidos como igarapés, foram atingidos pela lama barrenta que chegou à região. A primeira tentativa de ambientalistas para evitar essa situação foi barrar os resíduos com a instalação de nove quilômetros de boias na região, há cerca de   uma semana. Na ocasião, os megaempresários da mineradora informaram que tal medida reteria até 80% dos resíduos, o que não aconteceu. De nada adiantou, o problema é muito mais sério, como aliás pôde constar in loco o repórter André Trigueiro da Globo News. Segundo o chefe da reserva de Comboios, Antônio de Pádua Almeida, os ninhos das tartarugas que estavam próximos à foz do Rio Doce foram retirados previamente, para que a lama não os atingisse, mas a chegada dos rejeitos à parte norte da reserva ameaça outros ninhos: Biólogos continuam tentando proteger tartarugas marinhas e outras espécies marinhas ali na região de Linhares (ES).  “No caso das tartarugas, conseguimos retirar os filhotes que nasceram e os soltamos em outro ponto no mar como medida de emergência, mas não sabemos se eles serão ou não contaminados. Se o grosso dessa lama vier e ficar depositado tanto na foz quanto nas praias, não sabemos o alcance do impacto que vai trazer para toda a biodiversidade aqui”, avaliou Antônio de Pádua Almeida. Já os pescadores cadastrados na Federação das Colônias e Associações dos Pescadores e Aquicultores do Espírito Santo (Fecopes) não tiveram outra atitude senão entrar na Justiça com um pedido de liminar para que sejam mensalmente indenizados pela Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. Um audiência de conciliação foi agendada para o dia 2 de dezembro. Correspondentes de agências internacionais de notícias e equipes de fotógrafos e repórteres da mídia brasileira mais independente já estão com esta pauta, interessados em informar todos os detalhes deste acontecimento visto no exterior e também por nossa população como um escândalo de falta de gestão ambiental das empresas e de fiscalização da parte das autoridades políticas. “O lobby da mineração é muito forte”, disse um integrante do Tamar ao ser entrevistado por jornalista da Reuters: “Esta realidade precisa mudar no Brasil em vários setores”.​

Continua depois da publicidade

Aqui entre a foz do Rio Doce e o Atlântico os impactos serão maiores ainda


Garoto
capixaba encontrou vários animais mortos na região em que costumava antes
brincar e nadar

O
Rio Doce tal como era está morto, se renascer será um outro dia, avalia
pesquisador da UFMG

Vários
ecossistemas e a biodiversidade do leste de Minas e oeste do Espírito Santo
foram afetados

As sequelas no Rio Doce
são maiores ainda
:
temos 400 quilômetros de calha em que provavelmente não sobreviveu nada. O
antigo Rio Doce, ícone do Brasil, um dos grandes rios nacionais, não existe
mais. Está morto. O que vamos recuperar, até onde for possível, é um novo Rio
Doce, diferente. Ele nunca mais vai ser o mesmo, é o que alerta o ambientalista
Procópio de Castro, do Projeto Manuelzão, ligado à  Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG)
. O rompimento da barragem da Samarco
destruiu todo um ecossistema. Morreram peixes, insetos, anfíbios, moluscos,
larvas, fitoplâncton. Plantas aquáticas que eram utilizadas como criadouro
pelos peixes e árvores que serviam para as aves fazerem seus ninhos sumiram.
Até o limo das pedras, onde vários seres se alimentavam, perdeu-se. A cadeia
alimentar rompeu-se em todos os seus elos. A probabilidade de que tenha
ocorrido a extinção de espécies animais e vegetais existentes apenas no Rio
Doce é tida como alta. Isso tudo no Rio Doce, seus afluentes e nascentes do
leste de Minas e oeste do Espírito Santo deve ser somado às vítimas humanas,
ainda não saiu 23 dias pós desastre a relação final dos mortos (deve ser de
aproximadamente 30 pessoas), mas além das 600 famílias que perderam tudo na
vila Bento Gonçalves, arrasada pelo rompimento da barragem, milhares de
capixabas e de mineiros, no meio rural e em 20 cidades da região tiveram
prejuízos de grande monta, no abastecimento de água, na qualidade de vida e na
ameaça de sequelas na saúde pública regional. Enfim, uma tragédia
socioambiental, a maior da história da ecologia no Brasil. 

 

Amanhã, aqui
no Jornal da Franca um novo Flash de Ecologia,
+ 1 microblog na aventura da vida daqui da cidade, da região, do país,
do planeta, um post a cada dia para você, onde quer que você esteja agora, paz
aí, Padinha
.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região