
Receber uma crítica no ambiente de trabalho nunca é uma situação agradável. Por mais que ela seja realista, pontual e útil, muitas vezes provoca desgosto, decepção e revolta. Para algumas pessoas, o efeito é tão devastador que, em vez de a qualidade do trabalho melhorar, acaba ficando ainda mais comprometida. No entanto, quem busca encarar a crítica positivamente ou como um desafio a ser superado tem mais chances de evoluir profissionalmente.
É o que afirma a psicóloga organizacional Maria Virgínia Batista. Segundo ela, as pessoas têm uma forte tendência a interpretar o feedback negativo de um chefe ou colega como uma espécie de ataque à sua dignidade. “Esta resistência está ligada à dificuldade de constatar que não somos ‘deuses’. É sinal de que mesmo os profissionais mais perfeccionistas, equilibrados e controlados cometem falhas e demonstram fragilidades”, pondera.
Segundo ela, nem toda crítica é ruim, e às vezes pode fornecer feedback que é valioso para o sucesso do profissional. “O problema é quando você as leva para o lado pessoal”, diz.
Do pessoal para o profissional
Foi justamente o que fez a auxiliar contábil Júlia Fragoso, 23 anos, em seu primeiro emprego, há quatro anos. “Trabalhava como secretária numa empresa de exportação. Dedicava-me ao máximo para que tudo saísse perfeito, até que um dia fui chamada à atenção pelo meu atendimento. Na hora, fiquei muito chateada, com raiva, só conseguia pensar que todo meu esforço e entrega não valeram de nada”, conta. Após alguns dias remoendo o assunto, Julia decidiu conversar com seu superior para entender quais os pontos da queixa. “Nessa conversa, sem reservas, entendi que, no operacional eu era muito boa, mas no tratamento humano ainda me faltava habilidade. Jamais pensei sobre isso, mas esse feedback me ajudou a melhorar inclusive como pessoa”, diz. Hoje, a auxiliar contábil sente-se mais preparada para receber críticas, inclusive de colegas de trabalho. “Hoje entendo que boa parte das críticas vem para o nosso crescimento. O segredo está em saber ouvi-las, assimilá-las e, a partir disso, correr em busca do aperfeiçoamento profissional e pessoal”, afirma a auxiliar contábil.
Para a psicóloga organizacional, a postura de Júlia, que se permitiu refletir sobre o assunto, só conta pontos para ela. Isto porque embora seja uma dificuldade inerente ao ser humano separar as emoções dos fatos, compreender o papel e o peso de cada um ajuda muito quem deseja seguir uma trajetória de sucesso. “Certas críticas podem ser recebidas como um momento negativo na carreira, mas se olhadas com profundidade, significam justamente o contrário. Elas nos permitem identificar pontos de melhoria ou aspectos que, sozinhos, não perceberíamos. Dá a chance de optar por permanecer da forma como estamos ou mudar – para melhor, se for o caso”, salienta Maria Virgínia, acrescentando que o progresso profissional exige superação, e para se superar é preciso saber o que pode ser melhor para vencer os próprios medos e evoluir.



