O que resta pós-desastre socioambiental da mineração, o maior do interior do Brasil? O que resta de bom, porque a vida e a luta continuam depois deste apocalipse na história da ecologia

Cerca de 30 vitimas fatais, mais de 600 desabrigados, soterramento de nascentes, córregos, rios...

…através de toda bacia do Rio Doce entre Minas Gerais e Espírito Santos: um caos socioambiental
Multa de 250 milhões, processo dos presidentes das megaempresas responsáveis (Samarco Mineração, BHP Billiton, Vale), ação do MP MG, construção de casas para desabrigados, despoluição do Rio Doce e afluentes, revitalização ou salvamento das nascentes, indenização das vítimas fatais ou parciais do estouro de duas das 3 barragens em Mariana (Bento Rodrigues), uma reestruturação da terceira barragem (Germano) e de toda a atividade da mineração, que envolve bilhões de dólares e não pode ser tão precária em termos de segurança dos funcionários, da população e do ambiente: OK, tudo isso tem que ser considerado. As vidas voltarão? Será reconquistada a ecologia perdida entre o leste de Minas e o Espírito Santo?..
.Na minha opinião a principal sequela positiva (se é que podemos usar esta expressão) é que esta tragédia socioambiental poderá mudar o rumo dos debates do novo Código da Mineração, que está meio estagnado no Congresso Nacional, também por força dos lobbies e inação da maior parte dos parlamentares: há anos adormecido por uma overdose de razões, a proposta do novo Código da Mineração (projetos de lei 5807/13, 37/11 e outros) poderá voltar agora à tona. De cara, como denunciou André Trigueiro na Globo News, o relator deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG) teve a sua campanha eleitoral financiada pela Vale, a mesma que é associada da Samarco e da angloaustraliana BHP Billiton. Ou seja, Quintão não pode ser o relator por um motivo óbvio em função do lobby.De toda forma, já tem votação marcada para 10 de dezembro e assim volta à agenda do Brasil uma chance de a mineração (não só a de ferro) ter finalmente, por pressão da opínião pública nacional e internacional, uma nova estrutura. Uma estrutura que tenha um equilíbrio entre os interesses econômicos e os ecológicos, considerando na nova lei também o lado humanitários (dos funcionários, da população em torno), para assim este tipo de empreendimento ser realmente tecnológico, ter conteúdo socioambiental, não só lucro das megaempresas e por este novo caminho criar um foco de Desenvolvimento Sustentável pós-apocalipse em Mariana, Minas Gerais. De Minas para o Brasil e o mundo, aí sim, uai.
Amanhã, aqui no Jornal da Franca um novo flash deste microblog ecologia daqui da cidade, da região, do país, do planeta, um post a cada dia para você, onde quer que você esteja: paz aí, Padinha
Abraço aí, sucesso Jornal da Franca, reenviando, paz!



