Poucos setores da economia sofreram tanto nos últimos anos quanto a indústria calçadista. A queda no consumo interno e as dificuldades em exportar para tradicionais mercados, como a Argentina e a União Europeia, criaram um ambiente desafiador para as empresas do ramo.
Pelos cálculos da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a capacidade ociosa superou 50% nas fábricas em 2018, afetando diretamente mais de 60 mil lojas no território nacional. “A demorada greve dos caminhoneiros, o seu inevitável desabastecimento no varejo, a desconfiança dos consumidores diante do clima eleitoral e a crise na Argentina, que ocupa o posto de vice-líder no ranking dos compradores internacionais dos calçados do Brasil, impediram que o nosso setor reagisse”, disse o presidente da Abicalçados, Heitor Klein.
As dificuldades, no entanto, parecem ter ficado para trás. Lentamente, o setor está caminhando rumo à recuperação. Uma pesquisa da Ablac e da Kantar revela que as vendas aumentaram 2,6% entre 2017 e 2018. “Isso é significativo porque viemos de quedas em 2016 e 2017”, destaca Imad Esper, presidente do Conselho da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos (Ablac). “Estamos apostando em um crescimento ainda mais consistente para 2019”, acrescentou o executivo.
Um termômetro dessa reação pode ser observado na maior feira da América Latina voltado ao setor, a Couromoda, encerrado na última semana. Lá estavam pelo menos 2 mil marcas brasileiras expostas nos estandes institucionais e comerciais, além de delegações de mais de 40 países, inclusive árabes e latino-americanos. “Ficou bem claro que os negociadores apostam novamente no Brasil como potencial fornecedor de qualidade em longo prazo. Afinal, os fantasmas da recessão desapareceram e as perspectivas econômicas parecem bem favoráveis”, afirmou Esper.




