Quem pensa que por trás de uma bela execução existe apenas um grande pianista, desconhece o árduo trabalho de um técnico de piano. Um pouco cientista, um pouco artista, esse profissional é cada vez mais raro no mercado. A profissão que se mantém a mesma ao longo dos séculos, inclui tanto a afinação quanto o conserto e restauro do instrumento. Em Franca existem apenas dois profissionais em atividade. Um deles é Clayton Barbosa, que há 17 anos atua como especialista da parte mecânica do piano e há 12 anos nas restaurações.

Clayton não entrou nessa área por influência de nenhum familiar. Pelo contrário. Foi a necessidade que fez despertar seu interesse, já que ele fazia aulas com a professora Lúcia Garcetti e, aos 21 anos, comprou seu primeiro piano. Apesar de ser razoável, quando bem afinado atendia às suas exigências. Mas, ele diz que os profissionais que afinavam não faziam ou não sabiam fazer o serviço com competência e cobravam preços faraônicos. “Um dia um afinador levou 20 minutos para afinar meu piano e quando o experimentei, estava pior que antes. Inconformado, peguei uma chave de bicicleta e tentei girar as cravelhas – pinos de afinação – e acabei estragando a chave porque as cravelhas são duras para girar. Depois usei uma chave inglesa. Dois dias e três cordas quebradas, finalmente afinei meu piano como queria. E assim começou minha história com a tecnologia pianística”, conta.
Clayton fez curso de manutenção e restauração com um grande mestre e na Yamaha. “Fiz cursos por correspondência na Alemanha, que fornece DVDs e livros com informações preciosas. São cursos caríssimos, mas me ajudaram a fazer a diferença, me dando capacidade para restaurar pianos de qualquer marca e procedência”, revela.




