Enquanto a maior parte dos produtores brasileiros se preocupa com a queda das cotações internacionais do café, um grupo seleto de cafeicultores não vê os preços em baixa. São os que produzem os cafés especiais, cuja demanda no país não para de crescer. E a produção também. Quase duplicou em três anos, passando de 5,2 milhões de sacas, em 2015, para 9,4 milhões, em 2018.
“Um café acima de 87 pontos, de uma fazenda já reconhecida no mercado internacional, não tem o preço atrelado às cotações internacionais. Esse pessoal não está nem aí para a bolsa”, afirma a diretora-executiva da Associação Brasileira dos Produtores de cafés Especiais (BSCA, sigla do nome em inglês), Vanusia Nogueira.
Os chamados cafés especiais, que oficialmente devem ser classificados acima de 80 pontos, representaram no ano passado mais de 15% da produção total brasileira, que também foi recorde, com 61 milhões de toneladas. “Além de ser o maior produtor mundial de café, o Brasil também é o principal fornecedor de cafés especiais, já ultrapassou a Colômbia”, acrescenta Vanusia.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor médio da saca da variedade arábica ficou em torno de R$ 380 a R$ 390 em maio. Já o valor da saca dos cafés especiais podem passar facilmente de R$ 1 mil.




