
O título pode ser um tanto quanto agressivo. E é intencional para chamar a sua atenção, confesso, para um assunto sério e complexo. Já escrevi sobre ciberbullying no meu blog. Leia aqui.
É de uma IMBECILIDADE gigantesca ir até às páginas e perfis nas redes sociais de atletas olímpicos agredi-los – alguns de maneira racista – vide o que ocorreu com Rafaela Silva em Londres e, agora, com Joanna Maranhão, da natação.
Joanna disse que vai processar todos os que a ofenderam. Tá certinha. A Internet não pode ser terra de ninguém. Aliás, a própria Joanna já usou suas redes sociais para agressão gratuita. Alguns tuítes antigos da nadadora foram resgatados por usuários de redes sociais. Ela fez esse vídeo dando as suas explicações sobre o assunto.
Em textos postados há cerca de cinco anos, Joanna utilizou palavras como “vagabunda” para caracterizar mulheres e afirmou que a transgênero Ariadna, ex-participante do Big Brother Brasil, precisaria “nascer de novo” para parecer mulher. Pior, o tuíte contou com 268 RT’s, oou seja, muita gente endossando as palavras agressivas.
Defende a tolerância sendo intolerante
Eu tenho expressado muito em minhas redes sociais pessoas que bradam por tolerância – recriminando a intolerância -, mas sendo intolerantes em alguns comentários e postagens. Isso sem contar os fakes e atitudes tomadas por detrás do anonimato.
Joanna, aparentemente, foi uma delas, mas se esqueceu. Isso não quer dizer que ela precisa ser agredida porque um dia agrediu alguém. Gentileza gera gentileza, assim como violência gera violência. Eu sei. Mas se a gente for “pagar com a mesma moeda” nos tornaremos bestas feras. Aliás, é exatamente assim que parte da humanidade tem se comportado. Deixemos, portanto, em pagar com a mesma moeda a parte da gentileza, do amor, do abraço.
Internet é terra de ninguém
Não é bem assim. Há Punições para difamações, calúnias, racismo, homofobia e outros crimes. Há processo e processos em andamento por crimes cometidos na Internet.
Críticas ao desempenho dos atletas olímpicos
Fazer crítica ao desempenho de uma atleta que deu mole em determinada atividade ou de uma equipe que não traz mais resultados como antigamente, como a do futebol masculino, é uma coisa, agredir criminalmente é outra.
Nessas olimpíadas (ou em qualquer competição), não importa se o atleta do Brasil ganhou ou não. O Brasil não é um país de ponta no esporte. Pra mim, o que importa, é se a pessoa se entregou.
Com as judocas Rafaela Silva (ouro) e Mayra Aguiar (prata) foi assim. Era perceptível nos olhos e nas expressões dela o desejo. Não pesou sobre as costas de Rafaela tudo o que ela passou de Londres pra cá. As depressões, o bullying e os ataques racistas que ela sofreu foram ingredientes motivadores. Mas nem todos suportam essa avalanche de imbecilidade e acabam no poço da depressão.
Atletas assim têm o meu respeito. Os outros têm o meu silêncio e a minha crítica, mas nunca uma agressão.
É bom lembrar que o Brasil está longe de ser um país de ponta no esporte (repito). Ganha uma medalha aqui e outra ali, boa parte, por méritos do próprio atleta.
Sim, nos últimos anos o Brasil até investiu em alguns centros de treinamento, mas isso ainda está muito distante da maioria das pessoas. Se dizer que alguns vão se aperfeiçoar treinando fora do país, como foi o caso do Cielo. Os jogadores do Handebol masculino, que tem feito bonito em mundiais e nas olimpíadas também tem atletas fora do país. Veja aqui.
E se algum atleta “chega lá” é por uma boa dose de renúncia familiar e pessoal. A pessoa precisa se abdicar de muita coisa. E, convenhamos, se chegou ali, numa olimpíada, por mais que não seja o (a) top, é preciso dar as devidas congratulações e respeito.



