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Calçadistas projetam retomada das vendas internas após tombo

Exportações não seguram o emprego porque representam uma fatia de 10% a 15% da indústria

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A indústria calçadista brasileira abriu 2017 com esperança de alguma retomada no mercado interno após um ano com mais de 16% de queda nas vendas de sapatos, segundo dados da Associação Brasileira de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac). 

Para Jeferson Santos, diretor da Couromoda, feira do setor que começou domingo em São Paulo, “o recente movimento de queda dos juros e controle da inflação estão trazendo expectativas de melhora no consumo a partir de maio”.

Ele afirma que agora os olhos da indústria devem se voltar para o mercado interno novamente. Segundo Santos, a edição do evento realizada em janeiro do ano passado foi salva pela presença de estrangeiros, que equilibraram um pouco o mau humor da demanda brasileira. 

O câmbio favorável na maior parte do ano levou a indústria calçadista brasileira a fechar 2016 com 126,17 milhões de pares embarcados, que geraram US$ 999 milhões, uma alta de 1,7% em volume e de 4% em faturamento na comparação com 2015. 

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Sozinhas, porém, as exportações não foram capazes de segurar o emprego porque representam uma fatia de 10% a 15% da indústria.

“O mercado interno representa mais de 85% das vendas do setor. Essa retomada deve ter um reflexo importante para a indústria”, disse Heitor Klein, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Segundo ele, uma melhora do cenário interno pode resgatar o objetivo de recuperar o nível histórico de empregos no setor, que é de 350 mil postos gerados anualmente, mas hoje está em pouco mais de 300 mil.

Os Estados Unidos foram o principal destino para o setor no ano passado, com importação de mais de 13 milhões de pares por US$ 221,36 milhões, uma alta de 15% em relação a 2015. 

A Argentina foi outro destino importante, apesar das dificuldades enfrentadas por exportadores brasileiros em meados do ano para fazer seus produtos cruzarem a fronteira devido ao atraso por parte de autoridades argentinas na entrega de protocolos e documentação. 

Segundo o presidente da Abicalçados, já foi aberto o diálogo com autoridades argentinas e a situação deve ser normalizada durante o ano. 

Cesar Colleti

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