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​Câncer é a principal causa de morte dos animais de estimação, mostra estudo

Pesquisas mostram que o Brasil em projeção parecida com a de muitas nações desenvolvidas

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Tumores, quimioterapia, prevenção, dor e esperança. As palavras, usualmente relacionadas ao câncer nos seres humanos, também se aplicam à doença nos animais domésticos e se amparam num crescente aprimoramento da oncologia veterinária — que reuniu pesquisadores nacionais e internacionais na Onco in Rio, na Barra da Tijuca. O progresso da ciência espelha uma realidade: segundo especialistas, o câncer já é a principal causa de morte entre cães e gatos nos países desenvolvidos, e a projeção para o Brasil não é diferente.

A literatura médica veterinária é ampla ao relacionar o aumento da longevidade dos animais ao aparecimento de doenças complexas — por isso o avanço do câncer nos países desenvolvidos, onde a prevenção via vacinas, o desenvolvimento da tecnologia diagnóstica e terapêutica e a oferta de rações balanceadas estão alguns passos à frente.

Segundo o professor Andrigo Barboza de Nardi, do Departamento de Clínica e Cirurgia Veterinária da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), o Brasil tem como desafio o combate ao câncer de mama nos cães, tipo de tumor canino mais comum no país e que pode ser amplamente combatido com a castração precoce de fêmeas.

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— Se antes os animais viviam 10, 12 anos, hoje encontramos muitos que chegam aos 15, 16 anos. A capacidade imunológica natural cai, e a isso se somam fatores como mutações genéticas, poluição e dieta. Já foi inclusive comprovado que cães e gatos que convivem com fumantes correm mais riscos — explica.

QUIMIOTERAPIA

Ainda de acordo com o pesquisador, a grande maioria dos tratamentos se inicia com procedimentos cirúrgicos e, quando necessário, segue para a quimioterapia. A preocupação mais frequente entre os proprietários dos animais é quanto à queda de pelo durante o tratamento. Pode ou não acontecer, segundo o especialista, sendo mais comum em bichos de pelos longos.

A obtenção de dados, especialmente no Brasil, é um obstáculo, mas alguns deles mostram que a incidência de tumores é maior em cães do que em gatos. Uma revisão bibliográfica incluída no livro “Oncologia em cães e gatos”, de Andrigo e Carlos Roberto Daleck e que teve a segunda edição lançada na Onco in Rio, mostra que os tipos de tumores mais comuns no país são os de pele e tecido subcutâneo; mama; hematopoéticos (relacionados ao processo de formação das células do sangue); orofaringe (parte da garganta atrás da boca) e venéreos.

A pesquisadora da Unesp, Mirela Tinucci, apresentou no congresso a palestra “Experiência com o uso da fosfoetanolamina em neoplasias de cães” e afirma que hoje o objetivo dos pesquisadores é tornar o câncer uma doença crônica, já que a cura, por enquanto, parece distante. A fosfoetanolamina, conhecida entre os humanos como a polêmica “pílula do câncer” é, segundo alguns testes clínicos preliminares, promissora como tratamento complementar da doença em animais.

— Temos alguns testes clínicos que nos surpreenderam positivamente. Posterior ou concomitante à quimioterapia, a fosfoetanolamina desacelerou a expansão dos tumores. Junto com a USP, vamos iniciar agora uma pesquisa bem mais completa com a substância, que deve durar pelo menos dois anos — conta Mirela, para quem a liberação da substância para consumo ainda é um despropósito do ponto de vista científico.

Estudos com a “pílula do câncer” em animais, segundo a pesquisadora, podem contribuir para a compreensão dos tratamentos em humanos. O intercâmbio entre veterinária e medicina é frequente na oncologia, já que o câncer tem padrões semelhantes entre as espécies, inclusive com coincidências em relação a fatores de risco que podem ser prevenidos, como a obesidade, o contato com fumantes e a poluição.

Cesar Colleti

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