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Bem, finalmente posso começar a viver como um ser humano!

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Já que essa é a última coluna do mês de agosto, hoje irei homenagear o império romano que foi criado pelo imperador que dá o nome a esse mês, Augusto. Dentre os imperadores que assumiram Roma após Augusto, um deles se destacou: Nero. E é sobre ele que eu conto uma história interessante hoje, na verdade sobre o seu palácio, logo que entrou no lugar disse essa frase acima.

Não havia nenhuma maneira mais visível de um imperador mostrar sua força e boa vontade para com o povo romano do que erguendo maravilhosos prédios que o glorificavam e melhoravam de alguma forma a qualidade de vida dos romanos. Eles patrocinaram a construção de novos tempos, aquedutos, mercados, teatros, celeiros e fóruns. Mas é claro que também construíram palácios luxuosos para seus próprios aposentos e empregou os arquitetos mais distintos e artistas em todo o Império Romano.

Um palácio que chamou a atenção de todos foi o Domus Aurea, chamada a Casa de Ouro, porque algumas partes foram cobertas com folhas de ouro, e pedras preciosas e madrepérolas também foram cravejadas em suas paredes. A construção foi iniciada após o cheio de mistérios incêndio que destruiu parte da cidade de Roma, no ano de 64. Muitos responsabilizam Nero pelo incidente, mas não se sabe com ter certeza, porque ele estava em Anzio (cidade do seu nascimento) no momento que aconteceu o incêndio, mas retornou à Roma na mesma hora que soube do ocorrido. Os que o culpam, se baseiam em relatos de Tácito, um político e historiador da época que era contra o governo de Nero, ele afirmava que o imperador ficou cantando e tocando lira enquanto a cidade queimava.

O fato é que Nero culpou e ordenou a perseguição aos cristãos, que acusados por ele foram capturados e jogados no Coliseu para serem devorados por leões. Alguns relatos também contam que o imperador permitiu que o fogo se espalhasse para que ele pudesse conseguir o terreno e erguer aquela belíssima construção. Aliás, um dos prédios destruídos foi a Domus Transitora, a primeira casa de Nero, que já não era uma humilde morada. Mas com a desculpa perfeita para construir um novo aposento maior e novíssimo, ele começou o palácio imediatamente após a limpeza do terreno e continuou a melhorá-lo até a sua morte, quatro anos após o ocorrido.

Infelizmente, pouquíssimo do Domus Aurea sobreviveu ao tempo, porque os imperadores seguintes foram substituindo partes da estrutura com os seus próprios edifícios. Mas com muitas pesquisas, comentários de antigos historiadores e evidências arqueológicas nos permitem tentar visualizar o que foi esse lugar. Diz que uma enorme estátua de Nero (aproximadamente 120 pés de altura), ficava no hall de entrada. Pilares em forma de arcos corriam por mais de 1km na entrada do local. Uma enorme piscina, mais como um mar do que uma piscina, foi cercado por edifícios feitos para assemelhar-se a uma cidade e uma paisagem linda com um jardim repleto de campos arados, vinhas, árvores e flores. Por ali toda a variedade de animais domésticos e selvagens vagavam.

Agora chegamos na parte mais interessante da história, quem sabe um dos exemplos mais ancestrais dos aromatizadores de ambientes. Todas as salas do palácio possuíam tetos de mármore entalhado, e painéis que saíam do teto deslizavam para trás e perfumavam as salas com uma chuva de flores ou perfumes especiais em sprinklers escondidos, e esse ‘espetáculo’ perfumado caia sobre os convidados. A principal sala de jantar era circular, e seu teto girava lentamente, dia e noite, no tempo certo com o céu. A água sulfurosa estava sempre na torneira dos banhos.

Os romanos ficavam impressionados com essa mansão, mas não a aprovavam. O estilo de vida de Nero fez da sua casa alvo fácil para críticas. A Domus Aurea se tornou um símbolo da decadência que motivou atos imorais de Nero. O lago artificial, o teto que girava, os jardins, a estátua, tudo aquilo lembrava a extravagância do regime de Nero.

Após o suicídio de Nero, o lago artificial foi drenado. O anfiteatro resultou no que seria chamado mais tarde de Coliseu (Colosseum), não por causa do seu tamanho, mas por causa da grande estátua do imperador que ficava do lado de fora. Ela foi renomeada Helios em homenagem ao deus sol, para que Nero recebesse uma homenagem póstuma.

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.