
Os últimos acontecimentos me fazem juntar duas pautas, uma já prevista apesar da coincidência e outra que me veio à cabeça depois do triste acontecimento com o avião do chapecoense na terça feira. Qual o cheiro que pode ter um clube de futebol? Sim, ele foi criado! E qual o último cheiro que vem em sua cabeça quando você está prestes a deixar esse mundo?
No dia 22 desse mês o tradicional time do Santos em parceria com a Meltex lançou, quem sabe, o ‘cheiro da vitória’. Um perfume com sua assinatura na Santos Store. A fragrância foi desenvolvida pela marca Monserge 1966 representada por Melissa Cotrofe e Paulo Sergio Zegaib, que tem em seu DNA desenvolver produtos com o conceito contemporâneo “body & soul”. Muito em breve estará disponível em todo o país. A fragrância leva o nome de Ocean, tudo a ver com o alvinegro praiano, e terá sua versão para uso no ambiente e corporal.
E o cheiro de vitória, será ele o último cheiro que todos os tripulantes daquele vôo para Colômbia sentiram pela última vez? Será o cheiro do seu amor? Dos seus filhos? Da sua família reunida nos dias de folga? Do acordar em casa? De uma saudade? De um arrependimento? Do pavor? De Deus?
Qual cheiro teria o último instante de vida? Essa foi a pergunta que ficou em minha cabeça ontem. Eu imagino que seja um cheiro que te traga conforto. Lembro-me bem da fala de um filme que gosto muito que lembra o desastre do 11 de setembro, que as últimas ligações feitas daquele lugar não foram de terror, foram de amor, foi para conseguir falar e dizer a quem se amava como aquele sentimento era forte e iria permanecer com aquelas pessoas mesmo na vida eterna. Imagino que seja assim, os pensamentos e os cheiros sejam de conforto e amor, mesmo em tamanho desespero e agonia.
Que o futebol saiba sentir o cheiro da vitória novamente, e quem sabe esse triste acontecimento não sirva para unir mais as torcidas desse imenso país para que haja cada vez menos desavenças, e mais amor e fairplay.
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.