Nos últimos quase sete meses, tenho tido a oportunidade de fazer parte quase que diariamente da vida do meu primeiro sobrinho, o Fernando. Não há nada melhor do que acordar e saber que vai ter uma pessoinha que deixa seu sorriso muito mais bonito todos os dias, e que de alguma forma você acrescenta algo de bom na fase mais importante da vida dele. Agora, convenhamos, uma das melhores partes é aquele cheirinho todo gostoso que só os bebês têm. Milhares de marcas de cosméticos já tentaram de alguma forma inventar um aroma que tenha certa semelhança, mas todos no máximo chegam próximos a talco e não àquele cheirinho irresistível!
Para entender melhor de onde vem esse cheirinho, temos que entender que o corpo humano tem mais de dois milhões de glândulas chamadas sudoríparas, elas são responsáveis pelo nosso suor. Ela se dividem entre as glândulas écrinas (encontradas em todo o corpo principalmente nas mãos, solas dos pés e testa) e as apócrinas (localizadas principalmente nas axilas e na área anal-genital). Essas últimas têm um odor mais intenso e são desenvolvidas vagarosamente, atingem seu ápice na puberdade. Por isso, o bebê fica livre daquele cheirinho de suor forte dos adultos.
Já durante as seis primeiras semanas de vida o cheirinho que sai com o tempo e com os banhos da pele dos recém-nascidos é a vernix caseosa, um material esbranquiçado e gorduroso que envolve o bebê na barriga da mãe. Essa substância é composta por produtos da secreção das glândulas sebáceas, células e pelos da própria pele do bebê. Acredita-se que a vernix caseosa seja uma barreira mecânica contra bactérias e fungos, além facilitar a saída do bebê no canal do parto.
No ano passado, a Universidade de Montreal, no Canadá, se interessou por estudar o assunto mais afundo. Recrutaram 30 mulheres, sendo quinze mães de bebês com até um mês e meio, e as outras quinze mulheres que nunca foram mães. Foi usado um aparelho chamado de olfatômetro juntamente com a ressonância magnética para se medir os estímulos cerebrais. Elas foram expostas ao cheiro de roupinhas usadas por recém-nascidos. As mulheres que nunca tiveram filhos sentiram um cheiro fraco e levemente agradável, já as mães de primeira viagem tiveram uma alta atividade cerebral ligada à área de recompensa, com um pico na produção de dopamina.
A razão do odor do bebê desencadear essa alta na produção do hormônio, contudo, permanece em aberto para os cientistas. Eles não sabem precisar se existe alguma alteração fisiológica que ocorre nos cérebros das mães ou se a reação se dá apenas quando o cheiro sentido é do próprio bebê. O estudo afirma também que a descoberta não pode ser aplicada a pais porque homens não foram incluídos nessa pesquisa.
Seja qual for o motivo, não só as mamães como a maioria das pessoas não resiste a pegar um bebê no colo só para dar um cheirinho gostoso e sentir aquela sensação reconfortante que só esses ‘serzinhos’ causam em nós! Como podíamos ter esse real cheirinho em forma de aromatizador!
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.