
Sentir, em francês, é um verbo que poderia ser traduzido para o português ora como “cheirar” (Ça sent mal, ou “Isso cheira mal”), ora como “sentir” (Je sents ta présence, ou “Sinto sua presença”). Sentir a vida, dessa forma, é mais do que inalar odores: é viver com eles, através deles e integrá-los à própria vida.
Se eu lhe perguntar quais foram as imagens que você viu hoje pela manhã, você provavelmente conseguiria me responder, mesmo que com alguma dificuldade. Mas e se eu lhe questionasse sobre os odores que sentiu ao se levantar? Você seria capaz de me dizer? Posso estar enganada, mas creio que a resposta seria negativa. Você não é o único!
A maioria das pessoas não se dá conta de que somos constantemente envoltos por fragrâncias. Os odores estão tão presentes no nosso cotidiano que os esquecemos, quase não prestamos atenção neles. Mas eles têm uma propriedade interessantíssima: eles marcam a nossa memória e, uma vez que acionados, desencadeiam uma série de sensações e recordações, sejam elas boas ou não tão boas assim.
Criar um perfume é prolongar uma história. Ele é uma obra do espírito do perfumista e não uma mistura ditada pelo acaso. O odor é a emanação de uma vibração sensível. As moléculas dançam no ar e, ainda que não possamos vê-las, podemos senti-las. Toda dança tem um ritmo, uma cadência, uma frequência. Apesar de todas as precauções, o odor nos causa as mais espantosas reações, nunca estamos preparados para essas melodias que exalam de um ambiente, objeto ou pessoa. Ele é como uma mobília a fazer parte do espaço. É a marca de cada de lugar ou pessoa.
Eis aqui o meu convite: reaprender a sentir, e viajar no mundo dos aromas!