Essa época do ano só perde para o Natal, em minha opinião, quando o assunto é datas comemorativas. As músicas, comidas, o clima festivo, o friozinho, a fogueira e bandeirinhas, tudo colabora para o maior alto astral. E os aromas são inúmeros com suas iguarias e deliciosos quitutes. Tenho várias recordações dessas festas pela vida, algumas vou dividir com vocês e saborear dessas lembranças deliciosas e perfumadas.
A primeira que me vem à memória seria de festas que aconteciam na rua de cima de uma casa onde eu morei, os moradores se reuniam e montavam uma bela festa cheia de barraquinhas, decorações coloridas e comidas maravilhosas. Cada morador se incumbia de um prato e cada visitante também levava alguma coisa e a festança estava armada e rolava até altas horas. O cheiro que mais me recordo dessa festa era das flores em papel crepom, que levávamos para casa e ficavam decorando cada cantinho durante todo o mês festivo.
Durante a época da escola, estudei em um colégio tradicional da cidade que tinha a fama de ter as melhores festas e a melhor quadrilha da cidade, organizada pelo professores Zezé e Morse. As barracas eram montadas e organizadas pelos próprios alunos normalmente da oitava série e do terceiro ano em fase de formatura. Cada sala era responsável por um certo produto, ou até por duas barracas, e seu lucro era 100% destinado à formatura daquelas turmas. Os produtos eram conseguidos ou por consignação ou doação dos mercados da cidade, e cabia aos próprios alunos ‘botar a cara a tapa’ e pedir os produtos, e graças a Deus, pelo menos eu nunca recebi um não. Pouca coisa que não conseguíamos ou o colégio dava ou a gente levava de casa.
Nas duas épocas de formatura da minha vida, a minha barraca foi a do milho verde, devo dizer que naquela época eu tinha um nojo imenso por quase tudo e não era nem um pouco adepta pela arte da cozinha, mas mesmo assim adorava ajudar nas festas e participar dos eventos. E lá fomos nós descascar por duas vezes 300 milhos. Acredite, não era tarefa fácil lidar com aqueles bichinhos, aprender a não desperdiçar as palhas e organizar tudo para noite. E ainda por cima chegar em casa com os dedos todos cortados de tanto descascar milho. Mas no final valia a pena, era um bom dinheiro, considerando que os tempos eram outros, e uma formatura era bem mais simples e barata do que as de hoje em dia. E claro, a parte divertida era tentar ficar longe da cadeia pra não ter que abandonar a barraca, e receber correio elegante a noite toda (nota: por favor, admiradores secretos daqueles anos, favor se apresentarem que eu não os conheço até hoje!) E claro, a memória mais marcante dessa época com certeza foi o cheiro do milho cozinhando ou então quando estourado virava aquela pipoca deliciosa!
Uma das minhas lembranças favoritas era a festa junina do hotel que ia com a minha família todos os anos. Minha irmã faz aniversário dia 10 de julho, e juntando o útil com o agradável aproveitávamos as férias e íamos comemorar em Águas de Lindóia. Uma pequena e charmosa cidade no interior de São Paulo. Um lugar de belas paisagens montanhosas e um friozinho delicioso que combina com esse clima Junino. As festas do hotel eram animadas, com uma banda que tocava todo ano as mesmas músicas, mas por alguma razão a gente esperava por aquilo, a decoração linda, a equipe de lazer sempre animada e a comida maravilhosa. Não sei nem descrever a variedade de delicias que nos faziam comer até dormir o mais profundo dos sonos nas noites frias. O cheirinho que me vêm na mente quando me lembro desses dias é daquela mistura de vinho quente e quentão, as grandes panelas cheias daqueles líquidos proibidos para menores tão perfumados que suas fumaças se confundiam no ar e se tornavam um só perfumando todo salão e ‘alegrando’ os hóspedes.
Não podia faltar essa, a última e mais importante lembrança das festas juninas da minha vida: as da minha casa. Sim! Eu e minha irmã tínhamos uma festa personalizada com tudo que tínhamos direito, sem filas e com muito amor! Morávamos em uma casa de madeira pré fabricada, e na varanda minha mãe preparava a melhor festa junina da história. Nós ajudávamos com cada detalhe. Claro que só tinha aquilo que gostávamos: Paçoca, pé de moleque, guaraná, pipoca, broa de fubá, bolo de milho, pescaria, correio elegante das bonecas, morder maçã pendurada, corrida de saco, e claro, uma bela quadrilha de duas pessoas! E como não poderia faltar, as músicas, que ficavam por conta do meu avô que nos ajudava a gravar uma fita cassete com todas as tradicionais para dançarmos vestidas de caipira e cantar até cansar. Cada detalhe da decoração e do entretenimento era devidamente organizado por nós e minha mãe e avós ajudavam na preparação. Dessas lembranças eu tenho os melhores cheiros guardados, porque misturava o amor com tanta coisa perfumada e deliciosa que eu nem sei descrever a combinação que tudo isso emanava no ar!
Espero que suas recordações sejam tão belas e perfumadas como as minhas. Que São João acenda a fogueira do seu coração, São Pedro mande uma chuva de bênçãos e Santo Antonio proteja seus amores! Boas festas!
*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.