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Viva a Abolição!

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Saudações paciente leitor!

Neste mês de maio, precisamente no dia 13, comemoramos os 130 anos da emancipação do elemento servil, ou seja, a abolição da escravidão.

Sempre questionei o feriado da consciência negra, não por discordar do conceito, mas, por não me conter com a modéstia de tal. Sobretudo, propus, neste mesmo espaço, remanejar a homenagem para o dia 13 de maio, sob o argumento de que, ao celebrarmos a consciência negra no dia 20 de novembro, quase que resumimos a causa a uma tributação póstuma a Zumbi dos palmares. O que é uma lástima, já que há todo um contexto por traz da causa e, sobretudo, muitas, muitas pessoas a serem lembradas.

Se já me conhece bem ao longo de nossas laudas e, mais que tudo, suportara meu estilo, o leitor sabe que eu jamais cometeria o sacrilégio, o crime de propor uma analogia, sem que antes, eu tenha dedicado dias, senão anos a ponderá-la e, mais que tudo, estuda-la. Portanto, paciente leitor, acredite quando digo que o 13 de maio de 1888 supera e muito, em grau de relevância, o fatídico, controverso e quase pitoresco 7 de setembro. E não seria exagero acrescentar que o Brasil se tornara de fato um país independente, somente após romper a corrente da escravidão, ainda que de maneira retardatária.

Obviamente, a data da abolição contrasta com a homenagem ao dia das nossas mamães. E é justamente neste ponto que a coisa se enrola. Logisticamente, em prol de atender os truques do mercado, esta data a cada ano se enfraquece. É preciso mencionar as novas tecnologias para presentearmos nossas genitoras, e o que se ganharia em dedicar um maio bom de vendas, à memória de milhares de negros? E antes que eu seja linchado por todas as mamães, esclareço que não proponho esquecer sua justa homenagem, ainda que penso o dia das mães nos 365 dias do calendário. Dito isso, valho-me do ensejo para explicar o motivo, pelo qual, quebrei a promessa que fiz na edição passada, a de dedicar todas minhas linhas em homenagem às nossas genitoras. Há centenas de lápis mais eficiente que o meu que, sem dúvida prestará louvável tributo às mães, enquanto que, a questão abolição está quase órfã de quem mencione.

Todavia, a libertação dos escravos representara um marco nos caminhos turvos da histórias brasileira. Movimentos que hoje representam inquestionável relevância para o Brasil, só começaram a caminhar no pós-abolição, como a indústria, relações comerciais internacionais e a própria republica.

Sei que propor um feriado para o dia da abolição é, entre tantas outras vertentes, lembrar o Brasil, de um passado monstruoso, do qual tenta covardemente se livrar, varrendo para debaixo do tapete, aniquilando compêndios históricos que possam propor novos prismas para a população de maioria negra.

Engana-se miseravelmente quem se deixou levar pelo conto de fadas, de que a abolição dos escravos se dera sobre a bondade de uma princesa rebelde (a Redentora) que, valendo-se da ausência do pai, brincara de abrir a porteira para ver até onde o iria rebanho. Ainda que, devo convir, que abolir os escravos foi uma das últimas tentativas desesperadas de um império em ruinas, recuperar ao menos um pouco a popularidade. Aceitar isso, é se esquecer das pressões contra a monstruosidade da escravidão. Esquecer que, no Rio de janeiro, por exemplo, havia pelo menos 3 negros para cada cidadão branco, tanto que, ao desembarcar no coração do império brasileiro, qualquer turista reavaliaria o mapa, para certificar-se de que não fora traído pelos ventos e levado ao continente africano. No frigir dos ovos, é superficial demais, aceitar uma tributação rasa, objetivando minimizar a causa, elegendo um único herói. É se esquecer dos “Pretinhos” Machado de Assis e Nabuco, que entregaram a alma para a causa abolicionista, chegando a falsificar cartas de alforrias. É se esquecer de Chiquinha Gonzaga, que vendia suas partituras de porta-a-porta para, com o dinheiro, comprar a liberdade de negros. Isso sem mencionar a comissão de abolição, formada por jornalistas que, sustentaram de maneira ferrenha a questão. Enfim, seria necessário muita tinta e papel, para citar os tantos heróis da abolição. E, se ainda não fui demitido por um palavrão, é bem provável que serei por não respeitar o tamanho dos textos he-he-he. Talvez, não se comemora a abolição no brasil, porque ela ainda não aconteceu!

Viva ao 13 de maio!

O dia mais importante da história do Brasil.

*Essa coluna é semanal e atualizada às quartas-feiras.