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Com delação, Nogueirinha, antes da posse, enfrenta sua primeira polêmica

Especialistas dizem que caso arranha imagem; para aliados é prematuro avaliar

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A citação do nome do prefeito eleito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), na delação premiada do ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, o coloca diante da primeira polêmica prestes a iniciar seu governo no dia 1º de janeiro.

O delator revela que Nogueira recebeu R$ 650 mil de empresas ligadas a Odebrecht nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 para deputado federal, sob o codinome “Corredor”.

Nas eleições de 2014, por exemplo, o tucano recebeu R$ 300 mil de duas empresas ligadas a Odebrecht Agroindustrial: a Destilaria Alcidia e a Rio Claro Agroindustrial.

O próprio ex-diretor da Odebrecht apresentou os recibos das duas doações, que foram declaradas por Nogueira à Justiça Eleitoral.

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Enquanto aliados políticos colocam panos-quentes, lembrando que o novo chefe do Executivo terá direito a defesa, especialistas ouvidos por A Cidade avaliam que as acusações arranham a imagem do tucano. 

“É, sem dúvida, um dano à imagem e leva à perda da legitimidade política, sim. O novo prefeito já começa seu governo tendo que se explicar”, afirmou a mestre e doutora em administração pública, Fernanda Marinela.

No entanto, segundo a especialista, o fato do tucano aparecer em uma delação premiada, que inclusive nem chegou a ser homologada, não significa que é culpado.

O especialista em marketing político, Yuri Félix Araújo, também afirma que o episódio tende a desgastar a nova administração municipal. “Nogueira terá de ir a público para se explicar. E isso faz com que o governo comece manco. É um fato que arranha a imagem”, disse.

Mais calma

Sobre a delação do ex-diretor da Odebrecht, Nogueira voltou a reafirmar que são prematuras as especulações, cujas informações dependem de comprovação

Aliados políticos do prefeito eleito afirmaram que é preciso ter cautela para não fazer acusações infundadas e colocar em xeque um governo eleito democraticamente.

O presidente local do PSDB, Nicanor Lopes, repudia as avaliações dos especialistas ouvidos pela reportagem. “Não podemos afirmar que o governo inicia com uma polêmica porque ele nem começou. São fatos prematuros e devem ser comprovados pelo delator. O Nogueira sempre estará à disposição para esclarecer qualquer fato que o envolva.”

O deputado estadual Welson Gasparini (PSDB) também saiu em defesa de Nogueira. “São questões apenas para tumultuar e colocar em dúvida o novo governo. Acredito muito na honestidade de Nogueira”, afirmou. 

Nome relacionado a outras polêmicas

Essa não é a primeira vez que o nome de Duarte Nogueira aparece em polêmicas. Em março deste ano, o tucano apareceu em lista de doações da Odebrecht na 23ª fase da Operação Lava Jato. Em uma das planilhas, Nogueira aparecia seguido dos valores “R$ 200,00”, na coluna intitulada “2012”, e R$ 300,00, na coluna intitulada “Proj 2014”.

Na época, o tucano voltou a negar qualquer envolvimento na prática de recebimento de doações ilegais e afirmou que as doações sempre foram lícitas e aprovadas pelas Justiça Eleitoral. Na ocasião, a prefeita afastada e presa, Dárcy Vera (PSD), também apareceu na lista.

Outra polêmica envolvendo o prefeito eleito foi no episódio da Máfia da Merenda. O caso chegou a ser explorado na campanha eleitoral. Nogueira foi inocentado pela Corregedoria-Geral da Administração em abril deste ano. Ele não responde qualquer processo no Conselho de Ética na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Outro lado: ‘Doações foram legais’

Questionado sobre a delação do ex-diretor institucional da Odebrecht, Cláudio Melo, Nogueira voltou a reafirmar que todas as doações recebidas em suas campanhas eleitorais de 2010 e 2014 – por empresas ligadas ao grupo ou repassadas pelo Diretório Estadual do PSDB – foram regularmente declaradas e aprovadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). 

O tucano afirma, ainda, serem prematuras especulações em torno de delações ainda não homologadas e, portanto, cujas informações dependem de comprovação. 

Segundo Nogueira, no ano de 2008 (apontado pelo delator como a data de reuniões para discutir assuntos relativos a usinas de energia), ele não fazia parte – e nem nunca fez – como titular ou suplente – da Comissão de Minas e Energia e, como parlamentar, “nem tinha competência para interferir em qualquer processo licitatório.”

(Por Wesley Alcântara)

Cesar Colleti

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