O número de novos
processos na Justiça do Trabalho
caiu 45% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do
ano passado. De acordo com dados do Tribunal
Superior do Trabalho (TST), foram ajuizadas 355.178 ações entre
janeiro e março de 2018, contra 643.404 ações em igual intervalo anterior.
Para especialistas,
o resultado é reflexo da entrada em vigor da reforma trabalhista em novembro do
ano passado. “A mudança na legislação trabalhista tem vários impactos e o mais
imediato deles é a queda na litigiosidade”, considera o professor Hélio
Zylberstajn, coordenador do boletim Salariômetro.
As alterações na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) determinam
que o empregado que acionar a Justiça para reivindicar algo que não tem direito
pode ser condenado por litigância de má fé, sendo obrigado a pagar, por
exemplo, os honorários do advogado da outra parte. “Antes das alterações, havia
pouco risco para o funcionário que ingressasse com processos. Hoje, os pleitos
estão ficando mais embasados e isso ajudou a diminuir a demanda”, diz o
advogado Maurício Fróes Guidi, sócio da área trabalhista de Pinheiro Neto
Advogados. Para Guidi, a tendência é aumentar as ações coletivas para temas
mais difíceis de provar e que, portanto, geram mais chances de condenação, como
o dano moral.
Para o presidente da
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra),
Guilherme Feliciano, essa queda não deve ser um movimento perene. “Hoje, pela
insegurança e pontos controvertidos, houve essa redução, mas temos que analisar
daqui a 2 ou 3 anos para verificar o que de fato vai ocorrer.”




