De acordo com cientistas, a aversão aos vegetais que muitas crianças demonstram, especialmente a partir de 1 ano e meio de idade, pode ser ainda um resquício da “regra evolutiva” da Pré-história, quando os filhotes dos primeiros hominídeos corriam sérios perigos ao começarem a andar sozinhos e ganharrem mais autonomia. Os maiores riscos eram tornarem-se presas de animais maiores ou comer alguma coisa estranha que pudesse matá-los. A “regra” visava protegê-los: é verde e desconhecido? Melhor não comer, já que as plantas tóxicas e desconhecidas tinham uma característica em comum: eram verdes e um tanto amargas.
Especialmente no Ocidente, o principal problema atual da dieta é a insuficiência de vegetais e o excesso de açúcar e gordura. Mas o fato de comermos menos vegetais não é algo que nos impede de reproduzir, por exemplo. Então não há pressão evolutiva para que isso mude com as gerações, afirmou Jacqueline Blisset, professora da Universidade de Aston e especialista em comportamento alimentar de crianças nos primeiros anos de vida..
De um modo geral, crianças até os 18 meses se mostram mais dispostas a provar alimentos novos, desde que oferecidos por um adulto em que elas confiam, segundo a especialista.
A partir desta idade, no entanto, essa disposição diminui, e algumas se tornam mais resistentes a consumir verduras, legumes e, às vezes, frutas. “Vemos muita rejeição aos verdes. Verde é uma cor que pode indicar a presença de toxinas e geralmente têm o gosto mais amargo. Já as cores amarela, laranja e vermelha tendem a indicar níveis mais altos de açúcar e de gosto doce. Por isso, costumam ser mais bem aceitas”, explica.




