No mês de fevereiro deste ano, isoladamente, entraram no Brasil quase três milhões de pares de calçados provenientes da China.
Com um preço médio de apenas US$ 1,72 por par, cerca de R$ 8,50 (o menor desde 1997), mais barato que um pastel, as importações de lá somaram US$ 5 milhões.
As altas são de 130,7% em volume e de 9,7% em receita na relação com o mesmo período do ano passado.
“Claramente existe um processo de dumping – quando o preço praticado para a exportação é diferente do praticado no mercado interno -, o que provoca uma concorrência desleal com a indústria brasileira. É uma questão que estamos buscando resolver junto às autoridades e que, como os dados comprovam, já tem reflexo no nível de emprego”, alerta o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
Ele ressalta que a invasão de calçados chineses pode provocar uma “quebradeira” no setor, gerando uma onda de demissões.
“Sem demanda, a indústria nacional vai parar de produzir, o que tem como consequência o desemprego de pessoas que sobrevivem da atividade”, acrescenta o executivo.
Com o resultado de fevereiro, as importações chinesas somaram 4,32 milhões de pares e US$ 11,44 milhões, incrementos tanto em volume (66%) quanto em receita (21,2%) em relação ao mesmo bimestre de 2022.
Segundo o dirigente, desde que a China flexibilizou a política de Covid Zero e voltou com apetite ao mercado, no início do ano, calçadistas, inclusive de Franca, vêm encontrando problemas.



