O almoço de Natal deste ano, começou a ser planejado e preparado ainda em outubro, mais ou
menos no final da primeira quinzena. Na lista de compras, poucas coisas: coxas e sobrecoxas de
pato, a gordura do mesmo e ervas frescas. Precisarei de um pote de barro, que consegui
emprestado de um amigo. Se tudo certo, no menu natalino teremos confit de canard.
Na véspera do cozimento, preparei uma marinada seca com tomilho, sálvia e alecrim e envolvi
nos pedaços de carne. Uma lua depois, os cortes de pato foram bem secados, imersos na
gordura, e aquecidos suave e gradativamente por algumas horas, tentando a todo custo não
deixar a temperatura ultrapassar os 90ºC – a ideia é ter uma carne cozida e não frita, manter a
temperatura baixa é fundamental para um verdadeiro confit. Findo esse processo, drenei as
coxas e sobrecoxas e as coloquei no pote de barro. Retirei todo suco e resíduos que haviam
ficado na gordura – para evitar uma possível deterioração – aqueci novamente e derramei sobre a
carne. Selei o pote e… Guardei na geladeira. Isso mesmo, hoje temos geladeira, freezer e tantos
outros métodos para armazenar alimentos.

Em tempos passados, o mundo também precisava armazenar alimentos e não dispunha de meios
modernos para ajudar. Então, além da salga e outras poucas técnicas, aprendemos a cozinhar
peças de carne e guardá-las cobertas com uma grossa camada de gordura, evitando o contato
com o ar – estavam confitando. Por séculos foi assim que se garantiu o consumo de carne
durante todo o ano.




