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Criação de cargos: um tapa na cara e uma carga a mais no lombo dos francanos

Vereadores derrubam parecer e vão contra tudo e contra todos para criar secretarias e cargos

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Painel com os votos dos vereadores no projeto dos cargos em comissão

​Na legislatura passada ficou famoso o episódio em que um vereador, provocado além do seu limite, deu um tapa na cara de um cidadão durante sessão na Câmara de Vereadores.

Nem é preciso recordar a repercussão que a injúria real provocou na população em geral e nos eleitores, em particular.

Nessa legislatura, que mal começou, o episódio se repetiu, ainda que de maneira figurada. E não foi um vereador: foram 10 vereadores.

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Os vereadores Arroizinho, Carlinho Petrópolis, Claudinei da Rocha, Correa Neves Jr, Donizete da Farmácia, Ilton Sérgio, Nirley de Souza, Pastor Otávio, Pastor Palamoni e Tony Hill não levaram em consideração o grave momento da economia nacional.

Não levaram em consideração que a contabilidade da Prefeitura de Franca está negativa. Segundo as informações, em junho o déficit foi de 6 milhões de reais (ou seja: gastou-se 6 milhões a mais do que arrecadado).

E também não levaram em consideração os índices estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que, dentre outras medidas, fixa limites para o gasto com o funcionalismo público.

Também não foi levada em consideração a falta de interesse público. Afinal, sob o argumento de que era necessário regularizar os cargos, para atender determinação do Tribunal de Contas e da Justiça, prefeito e os 10 vereadores fizeram um bonde da alegria.

Nesse bonde foram empacotadas mais duas secretarias e, na discrepância dos números, cerca de mais 70 cargos (que segundo informações, já existiam, mas estavam vagos), chegando ao total de 338 cargos comissionados – ou seja, de livre nomeação do prefeito Gilson de Souza.

A ocasião é a menos oportuna e qualquer argumento, quando usado pelos vereadores que aprovaram a medida, geralmente é derrubado pelos fatos. O Sindifranca vive divulgando notícias de que o setor calçadista despenca a cada dia.

O desemprego no Brasil e em Franca atingiu um índice alarmante e não se toma medidas para derrubar esse índice.

Em dois períodos distintos, em anos passados, Franca também teve dessas crises. Em vez de criar cargos, os prefeitos da época criaram frentes de trabalho e nenhum cargo comissionado.

Se o projeto de lei pretendia ajustar a situação municipal à determinação da Justiça, deveriam, o prefeito e os vereadores, designar e discriminar as funções de cada cargo e pronto.

Se o número de funcionários da Prefeitura Municipal não é suficiente para atender a demanda da população, é só cumprir a Constituição Federal e abrir concursos públicos, de livre acesso a qualquer pessoa.

Mas na criação de cargos em comissão não se viu a descrição de nenhum atendente de saúde, que já apresenta uma deficiência crônica e foi a grande vilã e tema de campanha de alguns vereadores.

Preocupa ainda mais o agrupamento de vereadores em torno de suas medidas.

Preocupa a ferrenha determinação de derrubar um parecer técnico elaborado pelo Departamento Jurídico da Câmara Municipal e aprovar outro elaborado por um vereador, favorável ao projeto.

O jornalista Marcelo Teixeira divulgou na terça-feira que os vereadores trouxeram Brasília para a circunscrição francana. Lembrou muito o que fez Eduardo Cunha quando disputou a presidência da Câmara Federal, com incontáveis reuniões  e jantares para garantir votos a seu favor.

A exemplo do que ainda acontece na capital da República, na noite de segunda-feira, alguns vereadores e o prefeito Gilson de Souza se reuniram na residência do vereador Correa Neves Jr.

Em meio ao cardápio, traçaram a estratégia para a reunião da Câmara na terça-feira. Pelo jeito, os argumentos convergiram, pois na terça-feira, entre elogios ao encontro da noite anterior, todos votaram afinados para resolver a questão dos cargos comissionados.

Tirando quatro vereadores (Cristina Vitorino, Kaká Arcolino, Adermis Marini e Della Motta) que votaram contra a proposta e o presidente da Câmara, Marco Garcia, que não vota, mas que é contra a matéria, todos marcharam unidos para criar o trem da alegria, o bonde dos comissionados e, empurraram goela abaixo, mais duas secretarias. 

Afinal, assim como paga o salário do prefeito e dos vereadores, é a população quem vai pagar os salários dos nomeados em comissão.

Só parar lembrar o começo desta notícia: o vereador que deu o tapa na cara do cidadão não foi reeleito.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região