
A vida, como dizia Cecília Meireles, só é possível se reinventada. Bonito isso e, na verdade, dramático. É que para fazer outro esboço da existência, é preciso ter uma coragem quase épica. Que o diga a comerciante Vitória Lúcia de Souza, 58 anos. Pertencente a uma geração educada ainda no início da revolução de costumes dos anos 60, em sua infância, casamento e maternidade eram valores básicos. Ao chegar à idade adulta, viveu a liberação sexual e o ingresso no mercado de trabalho, mas na maturidade precisou lidar com o conflito entre o que se preparara para ser e o que se tornara, entre os ideais de libertação propagados por sua geração e a vida convencional que construiu. “Quando fiz 50 anos vivi o que chamam de crise da meia idade. É como se tudo o que vivi tivesse me levado para um lugar que eu não queria estar. Foi difícil, angustiante, conturbado, mas consegui perceber que não estava mais feliz daquela forma”, conta.
O que Vitória se refere era o casamento de 25 anos e a vida de dona de casa. Ela que sempre foi ativa, sonhava em seguir a carreira de comissária de bordo, sonho este que deixou de lado ao se casar. Assim como ela, no passado parecia natural para as mulheres se conformarem com a frustração no trabalho ou na vida afetiva, pois esses eram sentimentos associados ao período que costumava ser um mero prenúncio da velhice. Agora elas tentam reagir.
Crise faz reagir




