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De silêncios e palavras

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As dúvidas rondam-me. Sorrateiras, intrigantes. Olho para as estrelas, perdida entre as luzes e a escuridão. Não sei se é o barulho das ondas que tem abafado tua voz, mas há algum tempo não a escuto mais. Eu, mal acostumada com uma fluência excessiva de palavras, despreocupada em desperdiçar tantos sons, chego mesmo a me incomodar com o eco dos meus próprios pensamentos. É o silêncio que lateja em meus ouvidos, deixando-me sem resposta para as perguntas que sequer fiz.
Olho para o mar. Ondas revoltas. Vento gelado. Percebo que na ver-dade, também a mim os vocábulos escapam. Escorregadios, eles deslizam silenciosamente para juntar-se a outros tantos que surgem imperfeitos, incompletos, desconexos. E quando decido que é hora de mudar, quando insisto na verbalização, as tentativas demonstram-se vãs. E acuada pelo silêncio que corta minha alma, recorro ao exagero dos superlativos, à vivacidade das metáforas. Olho para o lado. Seu rosto, próximo a mim… E você, calado, olhar longe. Volto a fitar as estrelas e entendo o que me diz esse silêncio. Se algumas coisas entre nós não podem ser divididas ainda que pelos mais belos termos, melhor mesmo é deixar tudo em um segredo emudecido para apenas ouvir o vai-e-vem do mar. E as ondas, com sua força e encantamento, me asseguram: belo mesmo é o que se sente. Em silêncio, em palavras, nos desenhos na areia, em bilhetes deixados pela casa… Palavras nem sempre são tudo. Olho para você e encontro seus olhos. E toda a verdade que preciso. Assim, em silêncio e mais nada.

Entre linhas

Verdades. Mentiras. Histórias. Estórias. Um pouco de tudo.