As vendas de imóveis usados caíram 10,92% em agosto em relação a julho no Estado de São Paulo, segundo pesquisa feita com 1.016 imobiliárias de 37 cidades pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado (CRECISP).
Teve impacto nessa queda a redução dos descontos que os donos de imóveis concedem sobre os preços iniciais de venda. A pesquisa foi apresentada nesta segunda-feira.
Em média, os descontos nos preços das casas e apartamentos situados em bairros de áreas nobres foram reduzidos em 28,39%, baixando da média de 13,35% em julho para 9,56% em agosto.
Em bairros de áreas mais afastadas do centro das cidades, a queda foi de 25,2% com o desconto sendo reduzido de 9,8% para 7,33%. Nos bairros centrais, o desconto médio de 10,77% em julho caiu para 9,34% em agosto, percentual 13,28% menor.
“Não foi nem é o único motivo de ter havido essa queda, mas é quase um reflexo condicionado”, explica José Augusto Viana Neto, presidente do CRECISP. “O nível de desconto anda em paralelo com a curva de vendas, e quanto menor ele for, maior será o seu efeito na tendência dessa curva ser descendente.”
Viana Neto explica que o impacto dos descontos nas vendas é direto quando se consideram os valores envolvidos, independentemente de outros fatores como a escassez de crédito bancário e o risco de desemprego que inibem os negócios no mercado imobiliário. Ele cita o exemplo de imóveis situados em bairros nobres das 37 cidades em que a pesquisa CRECISP é feita.
O desconto médio caiu de 13,35% em julho para 9,56% em agosto, uma redução de 28,39%. “Isso significa para muitas famílias a diferença entre a capacidade de bancar os custos envolvidos na transação, como registro, escrituração e documentação, e o adiamento do sonho de ter sua casa própria”, afirma Viana Neto.
O peso dessa diferença fica ainda mais significativo, acrescenta, “num momento em que a única opção para muitos compradores é o pagamento à vista diante da impossibilidade de conseguir financiamento’.
Reflexo dessa baixa nas vendas, o índice Crecisp registrou queda de 5,92% em agosto comparado a julho. O índice mede o comportamento dos aluguéis novos e dos preços de imóveis usados nessas 37 cidades em que a pesquisa é feita mensalmente. De janeiro a agosto, o índice acumula variação negativa de 6,48%.
Queda em três regiões
As 1.016 imobiliárias que o CRECISP consultou nas 37 cidades venderam 54,29% do total em apartamentos e 45,71% em casas. As vendas feitas com financiamento bancário somaram 45,98% do total, e as feitas à vista, 44,04%.
Proprietários também financiaram a venda de seus próprios imóveis (8,31%) e os consórcios ficaram com participação marginal, de 1,66%.
A queda de 10,92% nas vendas de agosto sobre julho foi consequência do mau desempenho dos mercados em três das quatro regiões que compõem a pesquisa do CRECISP: a Capital ( -28,6%), o Litoral ( -12,19%) e as cidades de Santo André, São Bernardo , São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco ( -17,67%). Só no Interior houve crescimento, de 10,3%.
Imóveis de até R$ 300 mil, preço efetivo de venda, foram os mais negociados em agosto, com 56,23% do total vendido nas 1.016 imobiliárias pesquisadas. Na divisão de vendas por faixa de preço, foram predominantes (67,25%) as de até R$ 4.000,00 o metro quadrado.
Locação de imóveis tem queda de 2,86%
Assim como ocorreu com o mercado de imóveis usados, também o de locação residencial sofreu recuo em agosto no Estado de São Paulo. A pesquisa que o CRECISP fez com 1.016 imobiliárias de 37 cidades apurou que elas alugaram um número de imóveis 2,86% inferior ao de julho. O índice estadual de locação baixou de 2,7996 para 2,7195.
A queda ocorreu em duas das quatro regiões componentes da pesquisa CreciSP: no Litoral ( – 6,97%) e nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Guarulhos e Osasco ( -31,68%). Houve crescimento na Capital ( +2,35%) e no Interior ( +8,4%).
Os novos inquilinos preferiram as casas (56,17% do total) aos apartamentos (43,83%) e os imóveis com aluguel mensal de até R$ 1.000,00, que somaram 54,98% das novas locações. Para alugar, os donos dos imóveis concederam descontos médios de 11,01% para os situados em bairros de áreas nobres, de 11,94% para os de regiões centrais e de 13,08% para os de bairros de periferia.
A maioria das novas locações foi contratada com a garantia representada pelo fiador pessoa física (58,16%), seguido do depósito de três aluguéis (21,43%), do seguro de fiança (10,31%), da caução de imóveis (7,64%), da cessão fiduciária (1,56%) e do aluguel sem garantia (0,9%).
As imobiliárias pesquisadas receberam de volta de inquilinos que desistiram da locação, um número de propriedades que representou 93,88% do total de 2.763 novas locações. A inadimplência em agosto foi de 5,77% do total de contratos em vigor nessas imobiliárias, percentual 6,26% inferior ao de julho, que registrou 6,15%.
A pesquisa CRECISP foi realizada em 37 cidades do Estado de São Paulo. São elas: Americana, Araçatuba, Araraquara, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Franca, Itu, Jundiaí, Marília, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Taubaté, Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião, Bertioga, São Vicente, Peruíbe, Praia Grande, Ubatuba, Guarujá, Mongaguá e Itanhaém.



