
Franca é um celeiro de grandes artistas, mas a maioria deles permanece no cenário underground da cidade. Este é o caso de Artur Francisco Gomes, mais conhecido como Don Antena.
O leitor já deve ter “trombado” com ele em algum evento cultural da cidade. Ávido por cultura, Don está sempre “antenado” e não perde uma oportunidade de apreciar uma bela apresentação artística.
Ele se apresentou no último sábado, 13, na praça Oscar Basilino dos Santos, 1531, como uma das atrações da “A Arte Moderna Chegou a Franca”. Don fará outra apresentação do mesmo evento no dia 18, às 20h, na Casa da Cultura.
O Jornal da Franca conversou com o músico para saber mais sobre a sua trajetória e futuros projetos. Confira a entrevista abaixo:
Qual foi o seu primeiro contato com a música?
A música parece nascer em mim desde sempre. É a sensibilidade aos sons. Quando criança ia na casa de meus avós onde havia ensaio de uma banda, com bateria, guitarra, teclado, baixo, equipamento. Isso despertou muita curiosidade em mim. Aos 11 anos tive minha primeira aula de violão e já compus minha primeira canção. Depois disso, não parei mais de conviver com a música e com gente que gosta dela.
Como surgiu o nome “Don Antena”?
Aos 14 anos, na escola, me puseram o apelido de Dom – lógico que foi por causa do violão. Com o tempo, troquei o “m” pelo “n”: Don. Me senti mais leve. Já o Antena, é que sempre me simpatizei por essa palavra. Trabalhei, bem precocemente, numa rádio e tinha a antena do transmissor. Aquilo, para mim, era o máximo! Até pensava em ter um dia uma banda com o nome Antena. Uma década e meia depois tivemos a banda Antena Alta. Depois, resolvi incorporar Antena ao Don: Don Antena!
Conte um pouco da sua história, evolução e experiência musical
Como meu gosto pela música é grande, logo aos 15 anos meu professor de violão, o saudoso Claret Mendonça, me convidou para dar aulas em sua escola. Daí pra frente não parei mais de estudar e ensinar. Além disso, sonhava em tocar outros instrumentos. Hoje toco alguns, de sopro, cordas e percussão. Aprofundei meus conhecimentos musicais em Belo Horizonte, em diferentes escolas. Mantive a pesquisa e as andanças por algumas cidades com o violão em punho. Em São Paulo, trabalhei em um estúdio de gravação e pude aplicar muita coisa e aprender outras na área de produção musical. Trabalhei mais recentemente com o produtor e muito amigo meu, desde a adolescência, Tadeu Eliezer, ou Tadeu Patolla.
Qual é o seu estilo de música? O que você gosta de tocar?
Quanto aos estilos musicais sempre dei preferência à música brasileira, em especial as das décadas de 70 e 80, tempo em que formei um repertório para tocar em público e trabalhar com a música. As referências principais são o Tropicalismo e a Bossa Nova. Uma, tratando – além de música e arranjos – de ideias, comunicação e reflexão sobre variados temas. Outra, trazendo aos meus ouvidos a riqueza harmônica, melódica e rítmica. Daí gerou o que faço hoje. Minha música é a mistura desses dois grandes gêneros da música brasileira, nos quais estão incluídos muitos outros estilos originais e a sofisticação do jazz. Obviamente, sendo a música universal, gosto de ouvir de tudo que me sensibilize e suavize o meu viver. De um lado, Caetano, João e Jobim para aprender e ser influenciado; por outro, Beatles, Pink Floyd e Raul Seixas para conviver e viajar. Mas, é muito mais que isso, vai de música clássica ao rap, passando pela música raiz e a nova MPB.
Possui material gravado, músicas próprias?
Tenho uma gama extensa de música autoral. Gravei poucas delas, mas nenhum CD comercial. Lógico que as pessoas pedem com frequência algum CD meu. No entanto, hoje, com o advento da Internet, algumas das minhas músicas estão acessíveis na rede. Basta digitar no Google: “Don Antena” (entre aspas mesmo) para encontrar links com vídeos e MP3. O tempo agora favorece essa mudança de acesso à informação. A música não está mais só no CD, ela está na “nuvem”. Mas, tem que olhar paro “céu” (risos).
Quais os seus futuros projetos?
Como a música autoral é pulsante em mim, estou movimentando-a em pequenos círculos, com públicos pequenos que tenham a sensibilidade de ouvir o novo. Por isso, tenho feito shows esporádicos, participado de sarais, nos quais me sinto bem à vontade, pois gosto demais de poesia e o convívio entre poetas, músicos e artistas. Contudo, tenho planos maiores. Gravar músicas novas com arranjos em estúdio, publicá-las nas redes sociais e digitalizar gravações antigas de shows para compartilhar no SoundCloud, YouTube e Facebook. Espero ainda fazer muitos shows autorais, solo e com banda. O tempo existe e está aí!



