A peça do Grupo Corpo Negro tem referências do teatro negro, Hip Hop, Spoken Word e Movimento Afrofuturista (Foto: Priscila Tavares)
Ainda vivendo o luto da morte recente de sua Iyalorixá, irmãos de santo têm de lidar com a especulação imobiliária que traz uma ameaça de despejo fazendo com que percam o espaço de seu Ilê.
Um espaço vazio com o uso de poucos elementos materiais, onde palavra, movimento, sons e luz desenham possibilidades. Um chão que pode ser um terreiro, um barco à deriva, um sonho, uma memória. Sobre ele, uma esteira — lugar de descanso, trabalho ou reza.
Pedaços de galhos de madeira traçam caminhos, marcam territórios, viram remos ou armas. A luz recorta esses elementos, revelando gestos, abrindo clareiras na escuridão — ilumina, esconde, explicita. O jogo cênico se constroi na relação entre o que é dito e o que é sugerido, onde a imaginação do público completa o que a cena apenas indica.
Neste território mínimo, a palavra emerge como força motriz em um estudo minucioso de sua materialidade concreta: volume, velocidade, intensidade, musicalidade, prosódia.




