Prefeito entra na disputa interna do Legislativo e, para não ser derrotado, tem que retroceder
Não é de hoje que o Poder Executivo mete o bedelho na eleição de presidente da Câmara Municipal. Embora os poderes sejam distintos, o cargo é fundamental para o andamento de projetos e interesses dos prefeitos.
E via de regra são fechados acordos, com a anuência dos prefeitos, para a escolha do presidente, da Mesa Diretora e das principais comissões – estas pelas famosas “colinhas”.
Em Franca, também funciona assim. No primeiro ano da atual legislatura, um acordo conduziu Claudinei da Rocha, por unanimidade, à Presidência.
A intenção, inicialmente, era de que no segundo ano outro vereador ocupasse o cargo. Mas Claudinei queria continuar. O problema é que deixou de contar com o apoio de Alexandre Ferreira, que decidiu, segundo os próprios vereadores, lançar Kaká. Os votos da base racharam.
Surge outro nome
Paralelamente a isso, Carlinhos Petrópolis também entrou na briga, apoiado por um grupo que não queria apoiar Claudinei e nem Kaká, se somava sete vereadores, suficiente para vencer os seus concorrentes.
Alexandre, então, naquele momento, viu a Presidência se direcionar a um grupo que rechaçava a sua interferência nas questões da Câmara. Oficialmente, nem uma palavra do prefeito. Nos bastidores, as articulações foram constantes.
Na véspera da eleição, na quarta-feira, sem demover Claudinei da pretensão de continuar na cadeira, as orientações do Executivo foram de que todos “os seus” votassem em Claudinei e que Kaká desistisse de participar do pleito.
E como fica?
O objetivo de conquistar a presidência foi alcançado, assim como os demais cargos da Mesa Diretora e comissões, mas ficarão consequências.
Claudinei terá um segundo ano de mandato marcado por certa desconfiança, pois não aceitou abrir mão da candidatura em favor dos outro pretendentes – pelo bem da diplomacia. Mas, até aí, faz parte do jogo político.
No caso de Alexandre, ele terá que lidar com a realidade de que sete vereadores não se curvaram à interferência do prefeito na eleição da Mesa.
Isso pode sinalizar, segundo vereadores ouvidos pela reportagem, que a base que Alexandre acredita ter na Câmara não está firmada na rocha como ele esperava, mas talvez em um banco de areia.
As próximas sessões e votações demonstrarão isso e também se a ingerência valeu a pena. E pagar – ou não – para ver.



