Em quatro
meses, 20 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Ribeirão Preto, segundo
dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado
de São Paulo (Infosiga).
O banco de dado
reúne informações de acidentes de diversas fontes, como Polícia Civil, Polícia
Militar e Polícia Rodoviária Federal. Desse total, quem lidera o ranking são os
motociclistas. Foram 13 casos de mortes registrados em janeiro a abril.
Na sequência
estão os atropelamentos com cinco casos registrados e, os acidentes fatais
envolvendo carros somam duas ocorrências nesse período.
O especialista em planejamento
e gestão de trânsito, Luiz Gustavo Correia, possui um estudo que ajuda a
entender a estatística na cidade.
Para ele, são necessários mais
investimentos na área de mobilidade urbana. “A gente percebe que há necessidade
de investimentos em ruas, avenidas e também no transporte em massa. Ribeirão
Preto tem quase o dobro de motos de cidades do mesmo porte, isso mostra para a
gente os riscos e os números altos de acidentes e de óbitos, visto que quando
há um acidente como motocicleta o risco é sempre maior de ser um acidente
grave”, diz Correia.
A
Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto (Transerp) foi
procurada para comentar o caso, mas não se manifestou.
A família de Eliane Previato faz parte desta estatística
apontada pelo Infosiga. O irmão dela, Flávio Previato, de 51 anos, voltava para
casa de moto quando foi atingido por um carro na Avenida Eduardo Andrea
Matarazzo (Via Norte) em janeiro.
A
vítima morreu no local e o motorista foi preso em flagrante. “A Justiça tem que
ser feita. Ele tirou a vida de uma pessoa de bem, uma pessoa com família e ele
não pode ficar impune Totalmente imprudente, bêbado, na contramão e meu irmão
voltava do serviço, tinha trabalhado a noite inteira, voltava para a família e
aconteceu uma tragédia dessa”, desabafa.
O condutor do veículo vai ser
ouvido pela primeira vez pela Justiça no dia 04 de julho. O advogado dele,
Marcos Messias de Souza, disse que vai provar a inocência do cliente.
Reclamações
Quem enfrenta o trânsito no dia a dia reclama da imprudência
nas ruas de Ribeirão Preto. “Problema aqui é o seguinte: ninguém obedece.
Ninguém obedece a seta, ninguém obedece nada, ninguém está obedecendo de jeito
nenhum”, diz o motorista, José Pontes.
O
motociclista Carlos Augusto Barbosa explica que além do fluxo pesado de
veículos e da falta de respeito dos motoristas, é preciso encarar outros
diversos problemas, o que prejudica ainda mais a rotina de quem está sobre duas
rodas. “Motoqueiro sofre muito em Ribeirão. Está complicado, ontem furou o pneu
da minha moto”, desabafa.
Correia
afirma que a utilização da moto é uma opção mais acessível para a população, já
que o transporte público não funciona como deveria. “Ela [motocicleta] me
atende para chegar à necessidade com tranquilidade. Porém, hoje eu não tenho
opção de um transporte público de boa qualidade. Acredito que o cidadão acaba
optando pela moto devido à falta de um transporte de qualidade que o leve no
seu dia a dia”, conclui o especialista em trânsito.



