
Ela sempre teve como destino, o lixo. Mas há alguns anos vem servindo para fazer bolsas, cortinas e pufes, além de camisetas, brincos e pulseiras. Em tempos em que a moda é ser ecologicamente correta, as garrafas PET – aquelas de plástico – viraram verdadeiros artigos de mil e uma utilidades no mercado nacional. E Franca não fica fora disso.
No mercado há mais de sete meses, a Nativi confecciona camisetas e uniformes a partir de fios da garrafa PET. “Tive contato com esse tipo de malha na Copa do Mundo de 2010, quando o uniforme da Seleção Brasileira foi feito a partir da garrafa PET. Desde então, venho estudando e acompanhando o mercado e percebi que pouco explorado esse conceito”, comenta Renan Rodrigues Ranzani, à frente da Nativi.

Segundo ele, o processo de transformação da garrafa PET em malha acontece em parceria com empresas especializadas no mercado têxtil no Brasil. “As PETs são coletadas por cooperativas e encaminhadas às empresas que possuem todo o equipamento necessário para a confecção das malhas”, explica Renan.
A Nativi confecciona 110 camisetas por semana, atendendo no momento com sua marca própria apenas o público masculino. Já na parte de uniformes, atende todos os públicos. “Como o fio da garrafa é encapado por fios de algodão, nossos produtos são mais resistentes e com baixa retenção de calor, proporcionando maior frescor a quem vestir”, garante o empresário que, após adquirir a malha, realiza em Franca todo o processo de confecção e estampagem. “Possuímos uma equipe e grande suporte de nossos mentores”. Finalizadas, as camisetas da Nativi são comercializadas pelo site http://www.nativi.com.br.
Entenda o processo
Além de diminuir o uso de algodão e, consequentemente, de árvores derrubadas, o que era lixo se transforma em roupa sem muitas tecnologias e processos. São basicamente três etapas que fazem a garrafa de seu refrigerante se transformar na camiseta que você vai usar amanhã.
A primeira é quando os catadores separam as garrafas por cores, retiram as tampas e rótulos, lavam e a embalagem passa por um processo de secagem. Então o PET é moído e reduzido a pequenos pedaços.
Na segunda fase é feita a fusão a uma temperatura de 300 graus, a filtragem e a retirada de impurezas. Na fábrica onde é feita a fibra, repete-se o processo de fusão a 300 graus e o material é passado por equipamentos que o separam em filamentos. O resultado é uma fibra cerca de 20% mais fina que o algodão.

A terceira e última fase é a da estiragem, quando a fibra é transformada em fio. Separadas em filamentos, elas se transformam em fibras aproximadamente 20% mais finas que o algodão. Nesse momento, elas são transformadas em fios de poliéster. As fibras feitas a partir da garrafa PET reciclada podem ser usadas sozinhas ou associadas a outro tecido, como a seda ou o algodão.
Na confecção de cada camiseta são usadas cerca de duas garrafas. “A principal diferença entre um produto feito à base de PET com outro tradicional é o valor por trás da moda. A cada camiseta confeccionada são duas garrafas a menos no meio ambiente. Além disso, sua durabilidade, conforto e o realce de suas cores são algumas das vantagens em comparação a uma malha de algodão comum”, salienta Renan.
O cenário nacional

O Brasil consome, em média, 600 mil toneladas de PET por ano. Per capita, essa conta dá aproximadamente, 19 kg de plástico – para comparar, 20 garrafas PET de dois litros somam um quilo.
Segundo o 9º Censo da Reciclagem do PET, no Brasil, em 2012, a reciclagem desse material atingiu 331 mil toneladas – 12,4% a mais do que em 2011 -, um índice de 60% de reciclagem, que gera um faturamento perto de R$ 1,2 bilhão.
Apesar do PET ser considerado o filé mignon da indústria da reciclagem no Brasil – o plástico politereftalato de etileno é usado desde para embalagens de produtos de limpeza, de alimentos, materiais de uso escolar como réguas, relógios, porta lápis e canetas, até edredons, travesseiros, tapetes e carpetes. Ele pode virar ainda bichos de pelúcia, tinta e até fazer parte de um telefone celular -, as indústrias de reciclagem têm funcionado com apenas 35% de sua capacidade, segundo a Associação de Recicladores de Embalagens PET – Abrepet.

De acordo com estudos, uma garrafa pet leva entre 100 e 450 anos para se decompor na natureza. No Brasil existem cerca de 500 empresas recicladoras, que geram em torno de 11,5 mil empregos.
Tudo isso mostra que é possível uma empresa ser social, ambiental e economicamente viável. “Com as nossas parcerias, os custos de confecção são muito competitivos e já conseguimos trabalhar em nosso máximo de qualidade sem ter que repassar valores aos consumidores. Não pretendemos apenas colocar um produto ecologicamente correto no mercado, mas também um produto de qualidade e com preço justo”, enfatiza Renan, que já planeja ampliar a atuação da Nativi a partir de 2017, para o restante do país.



