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Empresário condenado por matar garota francana de 22 anos pede novo julgamento

Advogado também fará pedido de habeas corpus pois considera prisão de Pablo, desnecessária

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A defesa do empresário Pablo Russel Rocha, condenado a 24 anos de prisão por arrastar até a morte a garota de programa Selma Heloísa Artigas da Silva, conhecida como Nicole, informou que pedirá a revogação da sentença e a realização de um novo júri em Ribeirão Preto (SP), onde o crime ocorreu.

Pablo é acusado de matar a garota que à época residia em Franca e trabalhava em Ribeirão Preto, ao arrastá-la presa ao cinto de segurança de sua Pajero, após uma suposta discussão. 

Selma estava grávida de dois meses quando morreu por causa dos ferimentos que mutilaram seu corpo. 

O advogado Sergei Cobra Arbex afirmou que também ingressará com pedido de habeas corpus porque considera a prisão do cliente desnecessária. Rocha permanece na Central de Flagrantes da Polícia Civil em Ribeirão aguardando transferência para uma penitenciária.

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A sentença foi pronunciada pelo juiz Giovani Serra Azul no fim da noite de quarta-feira (29), após 12 horas de julgamento. Quatro dos sete jurados consideraram Rocha culpado. Ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado – por motivo fútil, sem chance de defesa e meio cruel.

Recurso

Nicole tinha 21 anos na época do crime e estava grávida. O Ministério Público defende que ela foi amarrada ao cinto de segurança da caminhonete de Rocha e arrastada por cerca de dois quilômetros, entre as avenidas Celso Charuri e Caramuru, em Ribeirão.

Arbex nega a acusação. O advogado afirmou que ingressará com apelação no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pedindo a revogação do júri, alegando que a decisão não foi condizente com as provas apresentadas.

“Não tem prova de que ele amarrou a moça e ele foi condenado porque amarrou. Poderia dizer, no máximo, que enroscou e aí ele teve a intenção, ou não. Mas, que ele amarrou, não existe provas. A gente vai conseguir anular essa decisão e levar a novo júri”, afirmou.

O advogado explicou ainda que, caso o pedido de revogação seja negado, a Justiça deve levar em consideração as regras de progressão da pena vigentes na época em que o crime ocorreu. Rocha já ficou preso por dois anos, tempo que também deverá ser descontado.

“Mas, com certeza, essa pena vai baixar. Mesmo que a gente não consiga [nenhuma medida], é uma pena que foi calculada de maneira exagerada. Não tem sentido uma pena desse tamanho”, concluiu.

O promotor José Vicente Pinto Ferreira defendeu a versão de que Nicole ficou amarrada ao cinto de segurança da caminhonete de Rocha, quando tentou deixar o veículo após uma discussão entre os dois, na madrugada de 11 de setembro de 1998.

Presa ao veículo, a garota de programa teria sido arrastada pela Avenida Celso Charuri e então pela Avenida Maurílio Biagi. Em seguida, Rocha teria feito o retorno e acessado o Anel Viário Sul, até parar na Avenida Caramuru. O percurso total seria de dois quilômetros.

O empresário falou por cerca de uma hora e negou a acusação. Ele contou que deixou a chácara, acessou o Anel Viário e, em seguida, as avenidas Adelmo Perdizza e Caramuru, quando Nicole pediu que parasse em um local conhecido por ser ponto de tráfico de drogas.

O réu disse ter recusado o pedido, os dois começaram a discutir e ele decidiu então parar a caminhonete. Nesse momento, Nicole teria descido e o empresário arrancou com o veículo, sem perceber que a jovem havia ficado presa ao cinto.

Em relato perante os jurados, Rocha afirmou ainda que só notou que Nicole estava presa, quando parou a caminhonete para trocar um pneu furado. O empresário disse que ficou desesperado, desamarrou o braço da jovem e foi para a casa.

A setença foi proferida por volta de 22h. O empresário saiu preso do Fórum e foi levado à Central de Flagrantes, onde passou a noite. Na chegada à delegacia, disse apenas que lamentava a condenação. “Infelizmente, o que eu posso dizer: chocado”.

(Com informações do G1)

Cesar Colleti

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