
Os indicadores mostram que a crise é grave e generalizada, mas há exceções e uma luz no fim do túnel: o câmbio. Setores com tradição em exportar dão os primeiros sinais de que a queda na atividade já atingiu o fundo do poço e começam a se recuperar com o estímulo do dólar alto.
Influenciado pelo dólar ao redor de R$ 4, o setor calçadista prevê aumentar com vigor as exportações em 2016 e, em até três anos, retomar o patamar de 2007.
As indústrias viram a situação começar a se inverter a partir das negociações da coleção primavera/verão, feitas em agosto e setembro e confirmadas com os embarques a partir de novembro.
Apesar da queda de 10% em 2015 nas receitas externas, a perspectiva do semestre passado aponta para aumentos superiores a 30% em 2016. “A alta do dólar proporciona um preço mais competitivo para o calçado”, diz Heitor Klein, presidente da Abicalçados (associação do setor).
O ânimo, se confirmado, contribuirá para amenizar as perdas do mercado interno. Em 2015, as fabricantes de calçados perderam 25 mil postos de trabalho, segundo o Caged. No setor têxtil e de confecções, foram 100 mil.
O empresário francano José Rosa Jacometti – Zuza -, tenta compensar a queda do mercado interno com as exportações. Dos 1,6 mil pares de calçados que produz por dia, 40% vão para fora. “Com esse índice, consigo subsidiar a produção do mercado interno. Creio que não vou ter problema neste ano.”



