A revista científica Journal of Human Growth and Development (Jornal do Crescimento e Desenvolvimento Humano) realizou um estudo sobre o aumento de alimentos industrializados no prato do brasileiro. O trabalho revisou 23 pesquisas feitas no Brasil sobre o tema entre 2005 e 2015, e os resultados não foram positivos para a alimentação saudável. Ficou constatado, por exemplo, que apenas 12,5% dos adolescentes consomem uma porção de fruta, legume ou verdura por dia.
A estatística está bem abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que aconselha, no mínimo, 400 gramas de vegetais, diariamente. Nesse cenário, o incentivo de bons hábitos alimentares desde a infância é fundamental para promover o consumo saudável e modificar tais dados. Ainda vale considerar que a ingestão inadequada pode provocar ganho de peso e diversas enfermidades.
A alimentação escolar é um ponto importante nesse contexto e deve ser muito bem considerada. Michelle Munita Lima, docente da área de nutrição do Senac Franca, destaca que “desde o fim da 1ª Guerra Mundial, há um estímulo para o consumo de produtos industrializados, com destaque para a praticidade. Essa cultura ainda se reflete nas escolas: crianças e adolescentes que adquirem primeiro uma novidade dessa indústria de alimentos se destacam entre os demais. Um status totalmente invertido de valores”.

A profissional também afirma que uma possibilidade de melhora desses dados seria a inserção da educação alimentar na grade escolar, com ênfase no esclarecimento da influência de cada alimento na saúde atual e futura. Nessa linha de pensamento, a atuação do técnico em nutrição auxilia a educação alimentar e nutricional de crianças e jovens.
“O técnico em nutrição pode planejar cardápios, garantir uma refeição equilibrada e variada, tanto na composição quanto na forma de apresentação, e esclarecer a importância da alimentação saudável, seja pelo bate-papo do dia a dia ou mesmo por meio de palestras, workshops e oficinas”, destaca Michelle.
Qualificação Profissional
Dada a relevância e a necessidade do profissional para o setor, a formação do técnico é rápida, em até dois anos. No Senac, o curso Técnico em Nutrição e Dietética tem como principal finalidade formar profissionais aptos a participarem de ações voltadas à alimentação saudável, considerando as necessidades nutricionais coletivas e individuais. “O aluno é capacitado para trabalhar em diversas frentes, incluindo a escolar. Sua atividade é rica e influenciadora”, afirma a docente.
O profissional também é um grande aliado no combate ao desperdício de alimentos. O problema que começa ainda no campo, mas que se estende no transporte, comercialização e preparo das refeições, é uma prática que instiga diversos debates. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a lixeira é destino de 30% dos cereais, 20% das sementes, carnes e laticínios, 33% dos peixes e entre 40% e 50% de vegetais e frutas.
“A situação não é diferente em muitas escolas, por isso é preciso trabalhar com profissionais bem preparados e conscientes, entre eles o técnico em nutrição, para evitar excessos na compra e na manipulação do alimento e, também, para apostar na criatividade e reaproveitar sobras”, orienta Michelle.
Novas turmas do curso Técnico em Nutrição e Dietética do Senac Franca serão ofertadas em 2017. A abertura de vagas pode ser acompanhada pelo site www.sp.senac.br/franca.



