A fase em que os dentes
começam a nascer não é fácil mesmo: o bebê fica irritado, chora, não quer se
alimentar e os pais ficam desesperados em usca de produtos que possam aliviar o
desconforto.
Os colares e pulseiras
de dentição são um exemplo. Entre os mais populares, está o colar de âmbar —
pedrinhas de resina vegetal, típicos da região dos países Bálticos (norte da
Europa).
Por terem como
princípio ativo o ácido succínico, acredita-se que eles são capazes de
fortalecer o sistema imunológico, estimular o sistema nervoso, melhorar a
atividade cerebral, além de agirem como uma espécie de analgésico e
anti-inflamatório natural, amenizando as dores da fase de dentição e as cólicas.
Bastou chegarem ao mercado para milhares de bebês no mundo todo aparecessem
usando os tais acessórios.
Há quem diga que eles
são milagrosos. Outros pais não notaram diferença alguma. No entanto, a Food
and Drug Administration (FDA) — uma agência federal do Departamento de Saúde e
Serviços Humanos dos Estados Unidos — está advertindo os responsáveis quantos
aos riscos de estrangulamento ou engasgo. “Não há informações científicas de
que os colares de dentição sejam eficazes e seguros. Eles são realmente muito
perigosos”, alerta Jennifer Hoekstra, especialista em prevenção de lesões do
Hospital Infantil Helen DeVos, em Grand Rapids, Michigan. Ela, que apoia
totalmente o aviso, completa: “A Associação Americana de Pediatria também
não recomenda nenhuma jóia de dentição”.
“Não há realmente
nenhuma evidência de que quando o ácido succínico é aplicado na pele, ele possa
ser absorvido pelo corpo. E não há evidências de que ele alivia a dor”,
diz Lara McKenzie, principal pesquisadora do Centro de Pesquisa e Políticas de
Lesões do Hospital Infantil Nationwide.
Além disso, ela explicou que o ácido
succínico apenas se infiltra no âmbar do Báltico quando é exposto a calor em
torno de 200 graus Celsius, uma temperatura que a pele de uma criança nunca
alcançaria.
O
que dizem os especialistas no Brasil?
Oficialmente, a
Associação Brasileira de Odontopediatria não recomenda o uso do colar de âmbar
durante a fase de dentição. “Não indicamos por causa do risco de asfixia. Se a
criança usa, os pais têm que vigiar o tempo todo, o que não é possível na
prática”, diz Paulo Cesar Rédua, presidente da associação.
A ONG Criança Segura
também é contra. “Não se recomenda nenhum tipo de colar ou cordão em bebês.
Entendo o objetivo, mas é melhor buscar outras alternativas. Durante toda a
fase de brincadeira da criança, não é legal ter cordão em nada, nem na roupa”,
alerta Alessandra Françoia, coordenadora da ONG.
“É melhor tratar
com estímulos. Massagem na gengiva e uso de mordedores gelados são mais
indicados e seguros”, explica o pediatra Nelson Eizenbaum, da Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP).



