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Estudantes da Unesp Franca se mobilizam e ocupam prédio exigindo mudanças

Reivindicações vão de problemas no campus, até falta de reajuste no valor das bolsas recebidas

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Faixa em frente ao campus da Unesp em Franca (Foto: Reprodução)

​“Paralisação”. Essa é a frase que se lia em uma faixa pendurada na entrada do campus da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp, em Franca, até a manhã desta quinta-feira, dia 05 de maio. Todas as atividades escolares haviam sido suspensas: provas, trabalhos, relatórios, pesquisas e aulas.

Pedaços de madeiras, cadeiras e até bicicletas faziam as vezes de entrave para bloquear a entrada nos corredores e salas de aula. Cartazes com protestos estavam espalhados por toda a universidade.

Corredores e escadas foram bloqueados dentro da universidade (Foto: Reprodução)

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O motivo? Insatisfação dos discentes. Os estudantes exigem mudanças. A pauta é extensa e preocupante.

Itens que se referem à permanência estudantil ocupam o topo das preocupações dos alunos da Universidade Estadual Paulista.

“A maior parte de nossas pautas é voltada para que os alunos de baixa renda da universidade continuem a poder exercer seu direito de cursar o ensino superior”, explica um dos alunos. O Movimento Estudantil é composto por todos os alunos do campus, que se organizam, assim como à paralisação, de maneira orgânica e não hierárquica, e suas demandas são direcionadas não só à diretoria, mas também à pró-reitoria e à reitoria central da Universidade e, é claro, ao poder público.

A Unesp recebe do Governo do Estado uma verba para que bolsas auxílios de permanência, moradia e transporte sejam distribuídas por todos os campi do estado. O valor não passa por reajuste há dois anos, portanto os investimentos em permanência estão estacionados, o que se consolida como uma dificuldade para que muitos alunos se mantenham na universidade.

Alunos de baixa renda da Unesp Franca têm encontrado dificuldade para se manter na universidade (Foto: Reprodução)

“Nos últimos anos, o acesso de alunos com baixa renda à universidade aumentou. Porém, sem a permanência estudantil, estes mesmos alunos que passam nos vestibular são impedidos de exercer seu direito, por não possuírem condições financeiras de se manter em Franca. Já existem casos este ano de alunos que foram obrigados a trancar cursos e retornar às suas cidades. O direito a cursar o Ensino Superior é garantido constitucionalmente, porém não entendemos que o suporte financeiro aos alunos de baixa renda seja suficiente para manter estes estudantes em seu espaço de direito,”, afirma um dos discentes.

Além do baixo valor, as reclamações envolvem também a quantidade de bolsas e os processos burocráticos para a liberação dos passes para transporte público.

Outro ponto que tem prioridade nas reclamações dos alunos é o Restaurante Universitário. Apenas 500 refeições por dia (280 almoços e 220 jantares) são oferecidas, o que não atende a demanda da universidade. O subsidio governamental é insuficiente para diminuir o valor das refeições ou aumentar a quantidade servida, o que leva a um impasse e a constante insatisfação dos estudantes.

O restaurante universitário também está na pauta dos alunos (Foto: Reprodução)

Também são exigidos pontos como: o aumento das vagas para alunos da creche da Unesp, mudança na idade mínima para que a criança seja atendida, respeito ao período de amamentação, aumento no quadro de funcionários da biblioteca (que por falta de servidores passa por dificuldades que incluem 40 mil livros esperando categorização ou limpeza para que possam ser utilizados), maior representatividade dos alunos nas decisões do campus (correspondem a apenas 15% dos votos) e respeito e atenção pelas reivindicações estudantis. 

“Nossa atual diretoria se mostra despreparada para lidar com as pautas estudantis. Além de encontrarmos imensas dificuldades para sermos ouvidos, ainda somos tratados com ironia e sarcasmo pelos representantes de nossa diretoria, os quais muitas vezes se mostram autoritários e desconhecedores das pautas. Não é interesse de nossa faculdade trabalhar em conjunto com o corpo discente, e muito menos conhecer realmente os problemas enfrentados pelos alunos”, pontua um dos universitários.

Portas de salas foram bloqueadas com inúmeros objetos (Foto: Reprodução)

Os problemas não se restringem à cidade de Franca e nem somente à Universidade Estadual Paulista. Segundo os alunos, as adversidades são enfrentadas, em menor ou maior grau, por alunos da USP, Unicamp e muitas outras universidades estaduais e federais do país.

 “Nossos interesses são voltados para assegurar o direito dos alunos de baixa renda, que são ignorados pelos poderes públicos, uma vez que entendem que disponibilizar a vaga após o vestibular é o suficiente para que estes alunos tenham sua formação garantida. Entendemos tal ato não apenas como um descaso com a educação, mas como um crime que priva tais indivíduos de uma possível ascensão social em uma sociedade que exige a formação”, explica um dos alunos. Após a paralisação das atividades formais, os alunos não ficaram parados. Pelo contrário, se movimentaram a fim de organizar trabalhos variados, como grupos de discussão sobre os temas ligados à permanência estudantil, ao acesso a universidade pública, além de diversas reuniões e debates com os mais variados assuntos, como o empoderamento feminino, a ilegalidade das drogas, movimento negro, a conversa entre a universidade e a comunidade local, os direitos LGBT e os problemas na educação básica e média.

Também foram realizadas assembleias, que são o meio utilizado pelo o Movimento Estudantil para debater, retirar e votar suas pautas. Através delas também foi decidido a articulação com os demais campi da Unesp, assim como demais universidades, para que a luta estudantil ganhe corpo e força e não seja tratada com descaso pelas autoridades.

Cartazes de protesto encheram as paredes da Unesp Franca (Foto: Reprodução)

As solicitações e reivindicações dos estudantes foram, enfim, enviadas aos responsáveis. Agora eles irão iniciar as conversações para discutir os meios termos entre administração e discentes.

A faixa não está mais lá. Foi retirada e guardada. A paralisação terminou e as atividades retornaram à normalidade. Pelo menos momentaneamente.

E os alunos, ah… eles não vão parar.

Alunos querem que o Movimento Estudantil ganhe força (Foto: Reprodução)

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região