
Entre 2004 e 2014, o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – recolheu dados estatísticos sobre homicídios em todo o Brasil. O resultado final da pesquisa é a publicação de um “Atlas da Violência no País”.
Avaliando apenas os números do Estado de SP, o estudo concluiu que houve uma redução de assassinatos na média dos municípios paulistas.
Em 10 anos, este retrocesso nas taxas de homicídios em São Paulo, chegou a 52.4%. Na comparação direta com 2004, foram mais de 11.300 mortes por violência, enquanto em 2014 houve o registro de pouco mais de 6.100 mortes por violência nas cidades paulistas.
Na avaliação de centenas de pequenos setores demográficos de todo o País, Franca e os municípios vizinhos ficaram entre as 20 microregiões mais pacíficas do Brasil, com uma taxa proporcional média de 6 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.

O pesquisador do IPEA, Daniel Cerqueira, (Técnico de Planejamento e Pesquisa da Diest/Ipea) explicou os dados:
É interessante notar que oito das 20 microrregiões que obtiveram as maiores diminuições nas taxas de homicídios (Tabela 2.3, abaixo) entre 2004 e 2014 possuíam populações com mais de um milhão de habitantes. Outro ponto a se destacar é o fato de 13 dessas localidades se situarem no estado de São Paulo.

Mas, em contrapartida, dados nacionais de homicídios preocupam, porque são em média 60 mil assassinato por ano, o que representa, 30 homiciídios para cada grupo de 100 mil habitantes, segundo explica o pesquisador Daniel Cerqueira:
Juventude perdida
A alta prevalência de homicídio de jovens acarreta inúmeras consequências na sociedade, que se estendem para além das tragédias humanas e familiares.
Conforme evidenciado por Soares (2005), a redução da mortalidade e o aumento da expectativa de vida ao nascer foram importantes elementos que contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico das nações ao longo dos séculos.
No Brasil, a morte violenta de jovens cresce em marcha acelerada desde os anos 1980. Segundo Cerqueira e Moura (2013), o custo de bem-estar associado à violência letal que acomete a juventude alcança 1,5% do PIB a cada ano. Daniel Cerqueira analisa:
O problema é ainda mais grave e emergencial quando consideramos que a partir de 2023 o país sofrerá uma diminuição substancial na proporção de jovens na população em geral. Essa dinâmica demográfica implicará dificuldades das gerações futuras em vários planos, incluindo o mercado de trabalho, previdência social e o necessário aumento da produtividade.



