O sonho de entrar na Universidade de São Paulo (USP) era o que motivava a vida de Willians Cardoso, em 2015. Diante do objetivo, o estudante da rede pública resolveu fazer um cursinho particular à noite, paralelamente ao último ano do Ensino Médio. Para custear a mensalidade, ele usava a pensão alimentícia que recebia do pai.
Naquele ano, o aluno não foi aprovado no vestibular da Fuvest e estava preocupado em como continuaria no cursinho, já que faria 18 anos e não teria mais a garantia da ajuda paterna. No caminho dele surgiu o Projeto Gauss, que ofereceu uma bolsa de estudos para o estudante continuar o plano de ingressar na universidade.
Em 2017, Willians foi aprovado no curso de Direito, da Faculdade de Direito da USP. “O projeto Gauss mudou minha vida porque foi uma ponte muito importante para o que eu queria. Provavelmente, se não tivesse entrado no Gauss, eu teria ido para qualquer outra faculdade, menos a USP”, comenta o futuro advogado.
A Associação Projeto Gauss ajuda a preparar jovens carentes para o vestibular. A ideia surgiu em 2012, quando quatro amigos, então estudantes da Escola Politécnica da USP, começaram a observar o ambiente socioeconômico que predominava na unidade. Eles perceberam a escassez de alunos vindos do ensino público e tiveram uma ideia: pagar os estudos de algum adolescente sem condições econômicas que quisesse entrar na Politécnica. “A USP, bem ou mal, acaba estando mais disponível para quem tem um preparo melhor. Seria legal poder ajudar alguém que não teve condições de se preparar a entrar na USP”, destaca um dos fundadores do projeto, André Funari, que debatia a questão com os colegas.




