
O objetivo da Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal) será fomentar as exportações de sapatos. O evento ocorrerá de 26 a 29 de junho no Anhembi, em São Paulo, e a movimentação para atrair compradores estrangeiros já começou.
A edição de 2015 contou com cerca de 43 mil visitas profissionais. Destes visitantes, aproximadamente 1,2 mil eram importadores de 64 países. Este ano, a ideia é aproveitar o momento propício (dólar em alta) e aumentar a quantidade de compradores do exterior na feira.
Para isso, organizadores estiveram em eventos semelhantes em países como Colômbia, Itália e Alemanha para fazer contatos com importadores e convidá-los a vir ao Brasil em julho. O presidente da Francal, Abdala Jamil Abdala, conversou com o jornal Comércio de Jahu, de Jaú (SP) sobre as perspectivas do evento, momento do segmento calçadista e expectativas de melhoria.
Abdala Jamil Abdala – A indústria brasileira em geral passa por momento crítico no que se refere ao mercado interno. A Francal nunca vai desprezar esta parte do mercado, cuja visitação sempre foi expressiva e positiva para geração de negócios. E por questões políticas e econômicas, o varejo nacional não tem respondido da forma como gostaríamos.
CJ – O que pode ser feito para mudar esse quadro?
Abdala – Vamos continuar investindo no mercado interno. A Francal quer trazer lojistas de todos os Estados do Brasil, e terá caravanas para os pequenos e médios. Vamos incentivar a presença desse público na feira com a perspectiva que o mercado interno gire de maneira mais ativa. Então, o mercado interno é muito importante. O setor de calçados, e isso inclui Jaú, precisa crescer nas exportações.
CJ – Por quê?
Abdala – O Brasil é o terceiro maior produtor de calçados do mundo. Além disso, os produtos têm qualidade e design. Já chegamos a exportar US$ 2 bilhões por ano e, naquele momento, o Brasil não tinha tantos compradores quanto hoje. Atualmente, temos 140 países, inclusive asiáticos, comprando sapatos brasileiros. Nossa qualidade e design são grandes, bem como o respeito que se tem pelo fabricante brasileiro, pois sabemos fazer bom sapato.
CJ – O que a Francal fez para convidar os compradores estrangeiros para a feira, em julho?
Abdala – Estivemos em circuito de feiras internacionais. Em Bogotá, na Colômbia, falamos com muitos compradores, principalmente da América Central, na IFLS (International Footwear and Leather Show). Depois, estivemos na Alemanha, na GDS (Global Destination for Shoes and Accessories), e na theMicam, na Itália. Convidamos os importadores e oferecemos quantidade de hospedagens em São Paulo durante o período da Francal.
CJ – Tem algum nicho de mercado nesse segmento que pode crescer?
Abdala – Paralelamente a esse circuito de feiras, fizemos parceria com a Câmara de CJ Árabe-Brasileira. Países como Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita são nossos potenciais clientes. Fizemos convite em inglês e em árabe para que eles venham à Francal. E a câmara está nos informando sobre novos compradores, então tenho certeza que o número de árabes vai aumentar muito neste ano.
”Com certeza o calçado feminino é o carro-chefe, na proporção de pelo menos cinco para um sobre o masculino”
CJ – Houve resposta dos compradores internacionais ao receber o convite para vir à Francal?
Abdala – Eles ficam surpresos pelo fato de o Brasil fazer sapato de qualidade com preço competitivo. Compradores de todo o mundo, até chineses, querem calçados brasileiros.
CJ – Quais serão as novidades da Francal deste ano?
Abdala – O maior diferencial será o produto exposto, pois as principais marcas brasileiras estarão presentes. Como é uma feira primavera-verão, novidades fantásticas serão apresentadas por todos os expositores. E a Francal também é feira de informação e valor agregado. Teremos palestras e talk shows para levar conhecimento aos lojistas e expositores. São várias novidades e ações no sentido de promover uma feira dinâmica, moderna, criativa e, principalmente, geradora de negócios.
CJ – Aponta-se a exportação como um caminho para superar o momento de dificuldade. Isso vale também para os pequenos fabricantes de calçados?
Abdala – Não tenha dúvida, desde que se tenha design e qualidade. Os compradores querem ver sapatos diferenciados.
CJ – Às vezes, o pequeno fabricante não sabe nem o que fazer para exportar. Por onde ele pode começar?
Abdala – Primeiro, o mostruário precisa do preço em dólar, isto é fundamental. De preferência também em euro, para facilitar para o comprador europeu. Alguém no estande precisa falar inglês e espanhol, para facilitar a comunicação. E se o expositor tiver dificuldades burocráticas para executar uma exportação, a Francal pode auxiliar, além dos sindicatos de vários polos. A pessoa tem de ir preparada.
CJ – Espera-se algum apoio do governo federal?
Abdala – O governo, por meio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), tem convênio com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Eles convidam compradores VIPs do mundo todo. É uma quantidade pequena, pois é oferecido tratamento diferenciado e qualificado, com transporte aéreo, hotel e assistência.
”O setor de calçados, e isso inclui Jaú, precisa crescer nas exportações”
CJ – Qual o tipo de calçado mais procurado na feira?
Abdala – Com certeza o calçado feminino é o carro-chefe, na proporção de pelo menos cinco para um sobre o masculino. O que é ótima notícia para Jaú. Depois vêm os sapatos infantis, masculinos e esportivos, mas os femininos são os principais.
CJ – O senhor enxerga possibilidade de melhoria para o segmento calçadista?
Abdala – Temos de respeitar e entender o momento da economia, mas o setor calçadista brasileiro é um dos poucos com a oportunidade de atingir a estabilidade em função de ter o DNA da exportação. Existem condições para alavancar as vendas para o exterior.
CJ – Exportar é chave neste momento?
Abdala – Delfim Netto falava que “exportar é o que importa”. Dentro do momento do mercado interno, exportar nunca importou tanto quanto agora. Temos o produto, a qualidade, o respeito por parte do comprador, e a competição de custo, o que nos permite exportar. Claro que não podemos depender somente disso. O mercado interno está adormecido, mas uma hora vai acordar. Até lá, a exportação é, sem dúvida, o principal fator para trazer equilíbrio à produção.
”A cidade tem produto de qualidade e está focada em produto com grande potencial de vendas, o calçado feminino”
CJ – Tem algum recado ou dica para os calçadistas de Jaú?
Abdala – A cidade tem produto de qualidade e está focada em produto com grande potencial de vendas, o calçado feminino. Tenho duas coisas para falar: acreditar e trabalhar muito. Assim, consegue-se vencer os obstáculos com mais facilidade.
(Com informações de Matheus Orlando, do jornal Comércio de Jahu)



