
A exigência do Bloco K, conjunto de informações referentes aos processos produtivos que terá envio obrigatório a partir de janeiro de 2016 afetará diretamente as empresas de calçados de Franca e que terão que se adaptar à medida.
A burocracia, entretanto, tem sido vista como positiva pelas empresas que congregam a indústria do sapato, alegando que ela pode ser utilizada a favor das fábricas para uma melhor organização e redução de custos com erros e retrabalhos.
A documentação, exigida pelo Governo Federal com prazo escalonado a partir de 1º de janeiro de 2016, a princípio assustou muitos empresários. No entanto, empresas organizadas internamente terão condições de, mesmo com alguma adaptação, responder à exigência sem dificuldades, inclusive com ganhos competitivos através da padronização da comunicação através de uma metodologia unificada.
O Bloco K exige que sejam entregues ao Governo, para cruzamento de informações como forma de evitar a sonegação fiscal, dados dos processos produtivos: ficha técnica (insumos), consumo previsto na produção, processos produtivos (detalhamento das fases), consumo realizado e estoque final.
A exigência pode dirimir erros por parte das indústrias. As empresas precisam sistematizar a produção para serem mais produtivas. O Bloco K, assim como outras exigências do governo, mesmo que tenham caráter meramente fiscal, de inibir a sonegação, darão oportunidade para isso.
O fato é que todas as empresas, independente do porte, deveriam ter competência para gerar essa documentação.
A exigência de entrega a partir de 1º de janeiro de 2016 é para empresas com faturamento anual superior a R$ 300 milhões. A partir de 1º de janeiro de 2017 a exigência é para empresas com faturamento igual ou superior a R$ 78 milhões e no ano seguinte passa a ser também para os demais estabelecimentos.
Controle
É importante que a indústria tenha total controle sobre todos os processos realizados na fábrica. Para isso, é preciso o engajamento de todos os departamentos da empresa, a começar pela diretoria, pois a exigência não é somente fiscal.
Ferramentas como o Sistema de Operações Logísticas Automatizadas (SOLA), que utiliza identificação padrão para todos os produtos, podem ajudar as empresas na organização dos processos produtivos. O objetivo é atingir todos os elos da cadeia, do fornecedor ao lojista através da padronização.
Exigências governamentais, mesmo que acarretem custos, muitas vezes acabam impulsionando a competitividade com a criação de diferenciais relevantes. O mesmo aconteceu com a questão ambiental, em que o Brasil está mais avançado do que muitos países e é reconhecido por isso.
Sola
O consultor em Tecnologia da Informação, Ivair Kautzmann, há mais de dez anos tem trabalhado, em conjunto com a Abicalçados e entidades do setor, na elaboração de uma metodologia de padronização dos processos para a melhor organização logística do processo produtivo.
Segundo ele, o SOLA – que usa como base os códigos de identificação GLN, GTIN e SSCC – está presente em mais de 150 países através do sistema GS1, o que garante padronização e rastreabilidade não somente em âmbito nacional, mas além fronteiras.
“Além de fiscal, a questão é física. Não existe concorrência. Quando falamos de logística, falamos de escala. Se as empresas adotarem o sistema, todos serão beneficiados com os ganhos”, destacou. Kautzmann.
Segundo ele, com o processo correto, os dados do processo baterão com a nota fiscal eletrônica. “É preciso que as empresas estejam cientes da importância de iniciar o processo corretamente”, acrescentou, ressaltando que, além de ajudar com as obrigações perante o Fisco, o fato irá auxiliar na redução de custos e em ganhos substanciais de competitividade.



