O Brasil tem uma atividade agrícola intensa. Para manter a produção a pleno vapor, no entanto, é necessário se prevenir das intempéries que ameaçam colheitas em todo o país. Uma ferramenta fundamental para isso é a previsão do tempo. Mas a falta de investimento do governo pode provocar um apagão meteorológico nos próximos anos. Um símbolo desse desleixo é o supercomputador Tupã, do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe). A máquina, que já foi a mais potente do hemisfério Sul para previsão de tempo e estudos em mudanças climáticas e a 29ª colocada da lista das mais poderosas em atividade em todo mundo, só voltará a operar com toda a capacidade a partir de março.
O Tupã passa por uma atualização, que vai garantir sua sobrevida por mais dois anos. Não voltará a figurar no TOP 500, o ranking mundial dos supercomputadores. Outras máquinas já ultrapassaram o aparelho brasileiro, ligado ao Inpe e instalado no Centro de Previsão de Tempo e Meteorologia (Cptec), no município de Cachoeira Paulista (SP). Mesmo assim, é bom não duvidar do poder de Tupã, que ainda faz previsões de tempo com melhor qualidade, maior rapidez e grande prazo de antecedência.
O supercomputador prevê situações extremas, como calor, secas, geadas ou chuvas intensas, e dá prognósticos, com até uma semana de antecedência, sobre qualidade do ar e previsões ambientais. O supercomputador do Cptec faz cálculos de 258 trilhões de operações por segundo. Porém, com a falta de atualização, existia a real possibilidade de a máquina parar no final de 2016. “Agora, o Tupã vai ter mais capacidade de memória e vai melhorar a performance, fazendo mais cálculos em menos tempo e com menor gasto de energia”, avalia o pesquisador do Inpe, Gustavo Escobar.




