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Gary Speed, foi a inspiração do País de Gales na Euro

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A data era 14 de dezembro de 2010. O País de Gales, semifinalista desta edição da Eurocopa, não figurava nem entre as 100 melhores seleções do ranking da Fifa. O futebol galês, cuja primeira e última participação em uma competição de grande porte havia sido a Copa do Mundo de 1958, estava no fundo do poço. Foi aí que entrou Gary Speed. A lenda do futebol galês, quinto jogador na lista de partidas disputadas na elite do Campeonato Inglês, assumia o comando da seleção de seu país natal naquele dia.

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Apesar de ter apenas quatro meses de experiência como treinador antes de ser contratado, o ex-jogador de Newcastle e Leeds, entre outros clubes, levou a seleção galesa a cinco vitórias e cinco derrotas, que a catapultaram ao 45º lugar do ranking da Fifa, a colocação mais alta em 17 anos. Tudo ia bem, até que Speed foi encontrado enforcado em sua própria casa em 27 de novembro de 2011, aos 42 anos.

Independentemente das razões e de como ocorreu, o fato é que a morte de Speed deixou o futebol galês órfão de um ídolo e a seleção, de seu técnico.

Um amigo ao resgate

Da morte de Speed ao anúncio do novo técnico foram quase dois meses. O escolhido pela federação galesa foi Chris Coleman, ex-jogador que trabalhava como treinador desde 2003, quando estreou com o Fulham. Mais que um ex-companheiro de seleção, Coleman se considerava um amigo de Speed.

O início de Coleman não foi fácil: cinco derrotas consecutivas, sendo a última delas uma humilhante goleada por 6 a 1 diante da Sérvia, em duelo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2014. Mais tarde, ele chegou a admitir que pensou em pedir demissão após o revés, mas eventualmente continuou no cargo.
Não foi possível classificar os galeses para o Mundial, mas a campanha da seleção melhorou bastante nas Eliminatórias para a Euro 2016. Com seis vitórias e apenas uma derrota em 10 partidas, os comandados de Coleman ficaram na segunda posição do Grupo B, atrás apenas da Bélgica.

Após o triunfo sobre os belgas na fase quartas de final da Euro, perguntaram a Coleman se ele havia pensado em Speed, aquele que começara a trajetória desta equipe que conseguiu o impensável feito de chegar à semifinal. Mas a resposta do treinador foi muito além das quatro linhas de um campo de futebol.
“Eu não preciso do futebol para me lembrar do Speed. Todos podem fazer isso. Mas quando nós vencemos a Bélgica, eu não pensei só nele como um dos meus amigos. Eu perdi dois ou três amigos que morreram muito jovens. É horrível. Eu não posso dizer que por causa daquele jogo eu pensei no Speed. Eu não preciso da Bélgica ou de um grande jogo para pensar nele. Eu sempre penso nele”.

Apesar do revés sofrido nesta quarta-feira diante de Portugal pela semifinal da Euro, Cardiff continuará em festa por muito tempo!

*Esta coluna é semanal e atualizada às quintas-feiras.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região