Com maior oferta de etanol no mercado, e a consequente redução dos preços, vale a pena trocar a gasolina pelo biocombustível na hora de abastecer o carro. No entanto, para que o preço permaneça vantajoso — de até 70% do cobrado pela gasolina, já que o álcool rende 30% menos no motor —, é preciso que os donos dos postos repassem a queda para os consumidores, o que nem sempre ocorre no Distrito Federal. Apesar de o álcool hidratado, que vai direto no tanque dos veículos, não ter a mesma política de reajuste dos derivados de petróleo, cada vez que a Petrobras anuncia um aumento na gasolina, parte dos postos também eleva o preço do biocombustível.
Pesquisas feitas pelo Correio na segunda-feira e ontem apontam que os preços ao consumidor do álcool hidratado subiram de um dia para o outro sem justificativa. Diferentemente da gasolina, cujos reajustes dependem da variação do barril de petróleo no mercado internacional e da taxa de câmbio, o valor do etanol é determinado pela safra de cana-de-açúcar, que tem sido favorável.
De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Plantadores de Cana (Fenapla), Alexandre Andrade Lima, em geral, 50% da colheita é usada na produção de açúcar, e 50% na de álcool. Neste ano, porém, 60% estão sendo direcionados ao etanol. “O preço do açúcar do mercado internacional está muito ruim, então há mais oferta de álcool, por isso o preço caiu”, explicou.
Essa queda chega aos postos, mas nem sempre é vista na bomba, porque vira lucro para os revendedores. O presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, admitiu que “pode estar ocorrendo recomposição de margem”. “Quando houve intervenção no setor (após a Operação Dubai, que identificou a prática de cartel), o Ministério Público e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) estipularam que a margem de lucro deveria ser, no máximo, de 15,85%. Hoje, está em 6% a 7%. Como os custos do setor são altos, o revendedor pode aumentar a margem do etanol para compensar”, explicou.




