O famoso “jeitinho” pode continuar existindo na fila das cirurgias eletivas em Franca.
O prefeito Gilson de Souza (DEM) impôs veto total a um projeto de lei aprovado na Câmara dos Vereadores que torna a fila de espera transparente e permite aos usuários acompanhar o andamento dos procedimentos.
Os autores do projeto, os vereadores tucanos Donizete Mercúrio e Adermis Marini, tiveram o cuidado de incluir na matéria que o único dado a ser divulgado publicamente seria o cartão SUS – Sistema Único de Saúde – para evitar vazamento no sigilo dos pacientes.
Porém, a Secretaria Municipal de Saúde e o Jurídico da Prefeitura recomendaram a Gilson de Souza que o projeto fosse vetado na íntegra, alegando, para isso, a preservação do sigilo dos pacientes.
Ele acatou e assinou o veto, que será agora analisado pelos vereadores que, possivelmente, farão sua derrubada.
A intenção de Donizete e Adermis é nobre.
Os vereadores entendem que, dando acesso aos próprios pacientes para o monitoramento do andamento de suas respectivas filas, possíveis “furadas” na mesma, conduzida por pessoas influentes, ficariam mais improváveis de acontecer.
Seria um grande passo para acabar com o “jeitinho”.
Porém, mais uma vez, o prefeito dá mostras de que o interesse público não tem sido priorizado.
Não é a primeira vez que projetos do Legislativo são vetados, na íntegra ou parcialmente.
Até mesmo projeto que previa inclusão e orientação sobre portadores de necessidades especiais, o chamado “Setembro Verde”, foi barrado pelo prefeito.
Atualmente, mais de dez mil pessoas aguardam cirurgias eletivas em Franca, muitas delas há vários anos.



