O prefeito Gilson de Souza (DEM) obteve 49,1 mil votos em Franca nas eleições de 2014 para o cargo de deputado estadual. Dois anos depois, elegeu-se prefeito, deixando todos esses votos “sem dono”.
A tendência natural é que os votos migrem, no ano que vem, para os demais candidatos ao cargo, principalmente seu rival histórico, Roberto Engler (PSDB), e a delegada Graciela Ambrósio (PR).
Para evitar que isso ocorra, Gilson está preparando um herdeiro para seus votos. Os preferidos são o filho, Gilsinho, diretor da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), e seu irmão, o vereador Nirley de Souza (PP), com mais chances para o primeiro.
Diante de adversário fortes, Gilson tem voltado os olhos para a região. Para isso, nomeou pessoas influentes de cidades vizinhas, como Rifaina e Cristais Paulista para preparar o terreno na região.
Os contatos políticos também têm sido intensos em vários outros municípios em busca de apoio.
O problema é que Gilson, ao que parece, tem esquecido de fazer a lição de casa. Sua gestão, nestes primeiros oito meses, tem sido alvo de críticas intensas pela falta de “pegada” do governo na omissão de temas como a invasão de ambulantes em Franca.
Tal comportamento já rendeu dois pedidos de abertura de Comissão Processante, uma arquivada e outra em trâmite na Câmara dos Vereadores.
Outro ponto negativo de Gilson, na hora de pedir votos para o seu futuro herdeiro político, será o não cumprimento de grande parte de suas promessas de campanha, como ônibus a R$ 1 em todo o fim de semana, implantação de hospital veterinário público, construção de casas populares, entre outras.
Politicamente, o prefeito ainda tem agido de forma duvidosa, por exemplo, no ato de não fazer o pagamento das emendas impositivas relativas ao ano passado.
As entidades assistenciais não receberam os recursos até agora e passam por dificuldades para manter o trabalho social prestado à população. Algumas inclusive correm o risco de fecharem as portas.
Com tantos contras em tão pouco tempo de governo, a preocupação de Gilson, de agora em diante, poderá não ser somente no sentido de convencer os eleitores a votar em seu indicado no ano que vem, mas convencê-los de que ele próprio, Gilson de Souza, de fato era uma opção viável para a Prefeitura de Franca.



