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Governo volta a discutir a renovação não obrigatória da frota de veículos

Proprietários de veículos antigos ganhariam um crédito ao trocar o antigo por um novo

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O governo federal voltou a discutir com entidades do setor automotivo a possibilidade de tirar do papel um programa de renovação de frota, informaram ontem o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Pereira, e o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, em evento da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Em discurso para os participantes do evento, o ministro disse que está empenhado no projeto e que pretende envolver os bancos públicos para facilitar o financiamento. “Já conversei com o presidente do Banco do Brasil e com o presidente da Caixa”, contou. Afirmou também que quer ver o projeto do programa de renovação de frota finalizado até o fim deste ano, para que entre em vigor já no ano que vem.

As conversas entre o setor e governo começaram no governo de Dilma Rousseff e foram interrompidas quando teve início o processo de impeachment da petista. A iniciativa, batizada de Programa de Sustentabilidade Veicular, tem o objetivo tirar de circulação veículos muito antigos e substitui-los por veículos novos e mais eficientes do ponto de vista energético.

As negociações foram retomadas na semana passada, quando Megale se encontrou com Pereira em Brasília para apresentar a versão preliminar do projeto. Segundo o presidente da Anfavea, ainda não há uma definição de que como programa vai funcionar e nem qual é a previsão de qual será o impacto no mercado interno de veículos.

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O ministro disse que recebeu pessoalmente do presidente interino Michel Temer a missão de tocar as conversas com o setor. Ao todo, 19 entidades do setor participam das negociações, entre elas a Anfavea, a Fenabrave e o Sindipeças.

Em linhas gerais, a ideia do programa é que os proprietários de veículos antigos ganhem um crédito ao trocar o antigo por um novo. O antigo seria mandado para sucata e a troca seria voluntária e não obrigatória.

Em janeiro, quando Dilma ainda estava no comando do governo, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Jr, disse que as conversas estavam avançadas e que o programa envolveria caminhões com mais de 30 anos de uso e carros com mais de 15 anos de uso. À época, afirmou que o programa resultaria em um aumento anual de 500 mil unidades no mercado interno.

Em mensagem de vídeo destinada aos participantes do evento da Fenabrave, o presidente interino Michel Temer afirmou que espera receber sugestões do setor para tirar o País da crise econômica. “Tenho a mais absoluta certeza de que, neste congresso, os senhores acabarão por formular algum documento, que mandarão para muitos setores e espero que mandem também para a presidência da República, fazendo sugestões”, disse o presidente interino.

Temer, no entanto, pediu que as sugestões fossem “calcadas e alicerçadas precisamente nessa ideia de aliança de todos”. “O setor emprega milhares de pessoas e esses empregos precisam ser mantidos”, disse.

No começo da mensagem, Temer afirmou que tem “trocado muitas ideias” com dirigentes da Fenabrave e lembrou que a cadeia automotiva representa cerca de 4% do PIB brasileiro. O vídeo durou menos de três minutos e foi interrompido quando Temer havia começado a falar sobre o ajuste fiscal. Organizadores do evento disseram que a interrupção se deu por problemas técnicos.

Cesar Colleti

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