
Um grupo de estudantes que pretende cursar a Faculdade de Medicina do Centro Universitário de Franca (Uni-FACEF) está apelando ao prefeito Alexandre Ferreira para que sejam adotadas medidas que ampliem as condições de participação dos mesmos, frente às dificuldades, principalmente relativas ao financiamento dos estudos.
O grupo apelou até mesmo à primeira-dama da cidade, Cynthia Milhim Ferreira, em carta em que expõe os motivos e apelam à esposa do prefeito Alexandre Ferreira que interceda junto a ele para que estudos sejam realizados.
Em síntese, os alunos explicam que a Lei 6287 reservou 19 vagas a candidatos que seja negros, egressos de escolas públicas ou candidatos com deficiência para o curso de Medicina do Uni-FACEF. Eles lembram que as mensalidades do curso de Medicina chegam a valores próximos de R$ 6 mil.
Contudo, segundo os candidatos às vagas, o problema está na quantidade insuficiente de vagas que o Governo Federal disponibilizou para o financiamento estudantil.
“Certamente os alunos a que essa lei municipal se refere (19 vagas para negros, egressos de escolas públicas e portadores de deficiência) ficarão de fora do amparo federal devido às novas regras do FIES”, dizem.
Além disso, nem mesmo as 19 vagas serão oferecidas. Eles foram informados que serão disponibilizadas apenas 15 vagas, as quais serão disputadas por 66 candidatos enquadrados nos critérios (4,4 pretendentes por vaga).
O grupo afirma que o Uni-FACEF, por ser uma autarquia municipal, impõe inúmeras medidas burocráticas que impedem outros tipos de financiamento privado.
“Um meio do poder público ajudar seria desburocratizando todo esse processo, dando aos candidatos enquadrados nos critérios especiais, chance de recorrer aos financiamentos existentes, além do próprio FIES”, diz o grupo em manifesto enviado ao Jornal da Franca.
Os candidatos que sentem a ameaça de ficarem de fora pelo pequeno número de vagas e pela impossibilidade de conseguir financiamento para o pagamento das mensalidades no Curso de Medicina do Uni-FACEF, fizeram na carta enviada à primeira-dama da cidade, uma série de sugestões e comparações.
Citaram, por exemplo, a ação tomada pela Prefeitura de Camargos/RS, cuja administração fez financiado específico para os alunos de baixa renda de seu curso de Medicina. “Em troca os alunos ficariam cinco anos trabalhando naquela cidade por valores simbólicos depois de formados. A Prefeitura de Franca se assumisse igual postura, beneficiaria os alunos e em igual proporção a população francana”, afirmam no manifesto ao Jornal da Franca.
Os candidatos a vagas especiais também citam que outra medida possível seria o investimento da própria Prefeitura, assim como fez a cidade de Taubaté, aplicando em bolsas de estudos integrais, mas destinando-as àqueles a que a lei municipal classifica como negros, egressos de escolas públicas e portadores de necessidades especiais e que são de baixa renda comprovada.
“Reservar vagas a candidatos pobres sem oferecer os meios para que eles cursem é uma medida insuficiente, o que queremos é estudar”, afirma um dos candidatos.
Carta
Eis a íntegra da carta que os alunos enviaram à primeira-dama Cynthia Milhim Ferreira, solicitando sua intervenção junto ao Prefeito Alexandre Ferreira (ainda não se tem informação se a mesma realmente intercedeu em favor dos solicitantes):
Solicitamos a V.Sa. o intermédio, junto ao Excelentíssimo Senhor Prefeito, nas negociações pelo aumento da quantidade de vagas do financiamento estudantil, o FIES, para a faculdade municipal de medicina de Franca. Soubemos, pela Secretaria de Finanças do UniI-FACEF, que haverá 15 vagas a serem disputadas por 66 alunos neste ano, um processo seletivo mais desleal do que os próprios vestibulares, aos quais, inclusive, nós fomos capazes de sobrepujar, após anos de estudos.
E, por se tratar de uma faculdade municipal, entendemos que o seu empenho político possa nos auxiliar e fazer a diferença, afinal a maioria dos alunos não têm condições de arcar com quase seis mil reais por mês o que levará à desistência de pessoas de alto gabarito, o que naturalmente comprometerá sobretudo a qualidade do curso, quando avaliado pelo MEC. Se contar que, por ser uma autarquia municipal, não é permitido financiamento privado, o que torna ainda mais difícil a nossa situação em comparação a outras universidades.
Em última circustância, a nossa pretensão é a de ir à imprensa e solicitar por imediato socorro, mas entendemos ainda que é imprescindível falar com V.Sa., que é responsável pelo Fundo Social da Solidariedade e com o excelentíssimo senhor prefeito.
Por favor, receba um representante da turma para diálogo!
Face ao exposto, cumprimentamos V.Sa. pela excelente gestão frente ao Fundo Social e contamos com sua inestimável ajuda!
Farad, membro da segunda turma de Medicina do UNIFACEF”.



