Estamos sendo informados por Tiago Guimarães, da BBC de Londres, que a entrega do título de Doutor Honoris Causa ao CEO da mineradora anglo-australiana BHP Billiton, uma das donas das barragens que se romperam em Mariana (MG), motivou uma reação crítica de alunos do King’s College, uma das universidades mais tradicionais da Inglaterra. O geólogo escocês Andrew Mackenzie foi quem recebeu a homenagem. O título teria sido concedido em reconhecimento a seu trabalho de destaque como geólogo e “por ter chegado aos mais altos níveis de liderança em negócios globais através de uma combinação de tino comercial, liderança regida por princípios e uma contínua fascinação com a ciência”. Este texto soa hoje como ironia e até sarcasmo, depois do que veio a acontecer com a mineradora no Brasil, rompendo sua barragem precária, sem estrutura de socorro, fazendo vítimas humanas, destruindo com a avalanche de lama ecossistemas ligados ao Rio Doce (que levará 10 anos para recuperar seu equilíbrio ecológico conforme os especialistas). Toda essa destruição, além do mar de lama ter afetado a água de 15 cidades, poluído o leste de Minas Gerais e o oeste do Espírito Santo, prejudicando a agricultura, a vida urbana e milhares de pessoas da população brasileira, em função disso tudo, os estudantes pediram a anulação da homenagem, ao geólogo e líder da BHP Billiton. Com justiça e cidadania.
NOSSA OPINIÃO – Uma atitude exemplar dos jovens e suspeita da tão afamada instituição King’s College, que deveria rever agora a sua homenagem, muitos estão na web se unindo aos jovens ingleses e brasileiros, que pedem a cassação do título honorífico, “manchado de lama”. O título muito dificilmente será cassado, mas o protesto e a petição são válidos e históricos na luta da ecologia.

Movimento crítico dos estudantes na Inglaterra criou este
banner de protesto

Qualquer homenagem à BHP, Samarco ou Vale depois de todo
o caos, soa como sarcasmo
Os estudantes organizaram um abaixo-assinado na Internet em protesto contra a honraria. Pedem que a universidade revogue o título ao “executivo da mineradora responsável pelo derrame de lama tóxica no Brasil”. Até a publicação da reportagem, a iniciativa reunia cerca de 150 apoiadores: “Como uma instituição de pesquisa de ponta que pretende reconhecer sua responsabilidade em sustentabilidade e proteção ambiental, o King’s deveria estar liderando um caminho de respeito ao ambiente global, e não conceder títulos honorários a CEOs de empresas que estão lucrando por meio de práticas empresariais irresponsáveis e danosas”, diz um trecho do texto da petição. A BHP é hoje a maior mineradora do mundo. Ao lado da brasileira Vale, controla a Samarco, dona das barragens que se romperam em Mariana e lançaram 40 bilhões de litros de rejeitos de mineração na bacia do rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo, além de pessoas mortas e/ou ainda desaparecidas. Ainda não há dados definitivos sobre a composição dos rejeitos e seus potenciais danos à saúde. Não houve estudos de órgãos de saúde, apenas análises de qualidade da água, com resultados distintos. Ainda na semana seguinte à tragédia, Andrew Mackenzie, que preside a BHP, esteve em Mariana, convocado pelo Ministério Público e posando na foto acima ao lado dos presidentes da Vale e da Samarco, disse só “lamentar muito” o desastre e prometeu reconstruir casas de famílias atingidas, o que ainda não foi feito. Efeito no mercado, após o desastre socioambiental e multas que chegam a bilhões de reais impostas por órgãos de Governo à Samarco, as ações da BHP atingiram o menor valor em dez anos. A empresa também revisou para baixo sua meta de produção de minério de ferro para o ano fiscal de 2016. A mobilização contra a homenagem contou também com a participação ativa de estudantes brasileiros do King’s College ligados ao Brazil Institute, centro de estudos brasileiros da universidade.
Amanhã, aqui neste novo webespaço Jornal da Franca novo Flash de Ecologia, + 1 microblog na aventura da vida daqui da cidade, da região, do país, do planeta, um post a cada dia, onde quer que você esteja,
paz aí, Padinha



