“Não importa onde
você mora, não importa qual é a cor da sua pele, não importa qual seja sua raça
e etnia.” A frase é do professor Stephen Kennedy, co-diretor do Oxford
Maternal and Perinatal Health Institute e, lendo assim, parece só mais um
discurso sobre igualdade social. Mas é muito mais do que isso.
Foram longos sete anos
de estudo até chegar à conclusão de que todas as crianças nascidas de pais
saudáveis ,em ambientes limpos, desenvolvem-se aproximadamente na mesma
proporção, com genes representando apenas 10% do processo. A pesquisa,
realizada na Universidade de Oxford, estudou cerca de 60 mil gestantes e,
depois, acompanhou mais de mil e trezentas crianças até os 2 anos de idade.
Os pesquisadores
afirmam que esse é o primeiro estudo do mundo a produzir evidências
contundentes de que a forma como uma criança é criada é o maior fator de sua
inteligência. “Em todas as fases, mostramos que mães saudáveis têm bebês
saudáveis e que bebês saudáveis crescem exatamente na mesma
proporção”, diz o pesquisador.
Acredita-se que os
primeiros 24 meses da vida de um bebê sejam os mais importantes em seu
desenvolvimento cerebral, com o órgão atingindo dois terços de seu peso adulto.
As mães — com boa saúde e vivendo em áreas urbanas limpas — são do Reino Unido,
Itália, Quênia, Índia e Brasil.
Os resultados
mostraram que, assim como a velocidade do crescimento físico era
aproximadamente igual, independentemente da raça, o comportamento dos bebês e o
desenvolvimento do cérebro também eram semelhantes.
Mas você deve estar se
perguntando: “Então, o que diferencia uma criança da outra?”. Para
Stephen, “receber atendimento médico decente e nutrição é o segredo”.
Isto é, o que é capaz de afetar o desenvolvimento do cérebro são as condições
de vida do bebê, a alimentação e a educação que recebem. “Ainda existe um corpo
substancial de opiniões nas comunidades científicas e leigas que realmente
acreditam que a inteligência é predominantemente determinada pelos genes e pelo
ambiente em que você vive, e que seus pais e avós estavam vivendo. E que seu estado
nutricional e de saúde não são relevantes. Bem, claramente não é esse o
caso”, afirma o professor Kennedy. Os pesquisadores esperam que o projeto,
que recebeu o nome INTERGROWTH-21, seja usado por autoridades de saúde
globais. E mais, que ele ajude a dar um fim no debate sobre o papel da genética
e diferenças entre raças na determinação de inteligência.



