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Indústria calçadista do Brasil rejeita acordo de livre comércio com a China

Indústria calçadista tem se posicionado sobre a concorrência dos países asiáticos

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O tema da importação predatória de calçados da China e um possível acordo de livre comércio com o país asiático dominaram os debates na reunião da Coalizão Indústria realizada nessa semana, na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília/DF.

O encontro de entidades que representam 15 setores industriais brasileiros, entre eles o calçadista, aconteceu com a presença de representantes do MDIC.

Na oportunidade, o presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, enfatizou a importância do antidumping contra o calçado chinês.

A entidade também defende a inclusão de três grandes grupos chineses que ficaram de fora na mais recente renovação do mecanismo, em 2022.

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Taxação

Atualmente, além da tarifa de importação de 35%, o calçado chinês que entra no Brasil paga uma sobretaxa de US$ 10,22 por par.

“Mesmo com o mecanismo, estamos presenciando uma verdadeira invasão de calçados asiáticos no mercado brasileiro, com preços abaixo dos praticados no mercado, o que tem colocado em risco a produção da indústria nacional”, comentou.

Números relevantes

Somente em junho, entraram no País mais de 705 mil pares chineses, 261% mais do que no mesmo mês do ano passado.

“E, como se não bastasse, acompanhamos, com preocupação, a ideia de se criar um acordo de livre comércio entre Mercosul e China. Caso isso ocorra, teremos uma quebradeira generalizada na indústria nacional, pois é impossível competir com calçados que entram aqui com preços abaixo de US$ 2”, acrescentou o executivo.

Concorrência desleal

A Abicalçados destacou que a China exporta calçados com preços abaixo dos praticados no mercado, tudo isso a custo de condições trabalhistas pouco alinhadas aos padrões internacionais e uma agenda ambiental branda.

Os países asiáticos – aqui incluídos, além da China, o Vietnã e a Indonésia – não ratificaram convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Essas convenções possuem impacto direto em setores intensivos em mão-de-obra, como é o caso da indústria calçadista, por se tratarem de assuntos relativos a salários, jornada de trabalho, segurança do trabalho e inspeção do trabalho.

“Os três países em questão sequer ratificaram a Convenção que trata da fixação de salário mínimo”, completou Ferreira.