No Brasil, cerca de 4 em cada 10 adultos apresentam níveis alterados de colesterol, segundo alerta da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
O elevado nível de LDL (o chamado “colesterol ruim”) aumenta significativamente o risco de infarto e AVC, doenças que vitimaram juntas 20.184 brasileiros em todo o país apenas no primeiro semestre deste ano, conforme registro do DataSUS, do Ministério da Saúde.
Esses dados reforçam a urgência de cuidados preventivos com a saúde do coração.
A endocrinologista Rosita Fontes, dos laboratórios Sérgio Franco e Bronstein, da Dasa, fala sobre a substância essencial para o bom funcionamento do corpo, mas que, quando em excesso, se acumula nas paredes das artérias, formando placas que podem dificultar a circulação sanguínea:
“O HDL, o ‘bom colesterol’, atua como um ‘faxineiro’, removendo o excesso de gordura das artérias e transportando-o de volta para o fígado para ser eliminado. Altas taxas de HDL são protetoras contra a doença cardiovascular, por isso é importante checar como está a saúde.”
Especialistas explicam outras três razões para você conhecer seus níveis de colesterol.
Colesterol alto é um perigo silencioso
“O colesterol LDL alto, geralmente, não apresenta sintomas, por isso é importante fazer exames para conhecer seus números e riscos. Um exame de sangue chamado perfil lipídico pode ser solicitado pelo seu médico para medir cinco valores importantes: colesterol LDL (ruim), colesterol HDL (bom), triglicerídeos, colesterol total e colesterol não HDL”, orienta Rosita.
A American Heart Association recomenda que, para a maioria dos adultos saudáveis, o nível ideal de colesterol LDL seja igual ou abaixo de 100 mg/dL.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, taxas mais altas, muitas vezes, estão associadas a outros fatores de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, obesidade e sedentarismo, o que piora a saúde e a chance de infarto ou de derrame.
Intervir precocemente
Manter o controle sobre os níveis de colesterol é fundamental para intervenções médicas precoces e personalizadas.
Um exemplo é o recente estudo da Genera, primeiro laboratório especializado em genômica pessoal do Brasil, que analisou o DNA de mais de 19 mil brasileiros e identificou marcadores genéticos associados a diferentes perfis de gordura no sangue.
A partir dessa análise, foram criados escores de risco poligênico que estimam, com base apenas no DNA, a chance de uma pessoa ter alterações nos níveis de lipídios.
Por exemplo, indivíduos com maior risco genético para triglicerídeos elevados têm 6 vezes mais chances de desenvolver a condição, enquanto para o colesterol total, o risco é 9 vezes maior.
Exames genéticos
Essa pesquisa, atualmente em processo de revisão por uma revista científica internacional, pode aprimorar a previsão de doenças cardiovasculares e possibilitar estratégias de prevenção mais eficazes e personalizadas no Brasil.
Prova de que os exames genéticos são ferramentas importantes, pois analisam o DNA para identificar variantes ligadas a doenças hereditárias que elevam o colesterol e os triglicerídeos.
O geneticista Gustavo Guida, do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro, explica que o Painel NGS para Dislipidemias Familiares é um exemplo.
“Esse tipo de teste analisa o DNA para identificar variantes em genes responsáveis por formas familiares de dislipidemia, geralmente mais graves, de início precoce e que respondem pior ao tratamento convencional. O exame facilita a identificação dessas formas, permitindo a adequação do tratamento e o aconselhamento genético para familiares”, comenta.
Entretanto, o médico garante que a prevenção segue uma regra básica: sempre com a adoção de hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos regulares.
Realizar tratamentos modernos e personalizados
Para combater o colesterol alto, o plano de tratamento clássico pode incluir mudanças no estilo de vida – como adotar uma alimentação saudável e abandonar o sedentarismo – e o uso de medicamentos.
Mas para casos em que os remédios orais não são suficientes ou para pacientes de alto risco ou com hipercolesterolamia familiar, novas terapias, como os tratamentos por infusão, oferecem uma alternativa promissora.
“Geralmente, o tratamento se inicia com a prescrição médica de estatinas – que são as medicações mais utilizadas para baixar o colesterol LDL – e/ou de ezetimiba, outra classe de medicamentos”, explica a endocrinologista.
Segundo ela, “em casos especiais, pode ser necessário outro tipo de terapia, como o uso de inibidores da proteína PCSK9, que normalmente impede o fígado de remover o colesterol da circulação. Ao inibi-la, a capacidade do fígado de eliminar o colesterol ruim é restaurada, resultando na redução significativa da substância”.
Indicação
Atualmente, a indicação dos iPCSK9 é restrita à prevenção secundária, ou seja, para pacientes que já tiveram eventos cardiovasculares, sendo prescrita se o uso de outros remédios não obteve o resultado esperado.
Esses tratamentos – que são administrados por meio de injeções intravenosas sob a supervisão de um profissional de saúde – representam um avanço importante, especialmente para pessoas com histórico de infarto ou AVC, em que o objetivo é manter o LDL em um nível ainda mais baixo, de 70 mg/dL ou inferior.



